Há 10 anos, o auxiliar de enfermagem Vladimir Estorari, 38 anos, adotou uma das formas mais eficientes de ajudar outras vidas: tornou-se um doador de sangue voluntário. A cada 60 dias ele vai até o Hemocentro Regional de Londrina, no Hospital Universitário (HU). Além destas visitas de rotina, de vez em quando ele também é chamado a doar plaquetas, através de um sistema chamado aférese.
O equipamento capaz de separar as células do sangue, devolvendo imediatamente os glóbulos vermelhos ao organismo do doador, foi adquirido pelo HU em 1997, mas passou a ser usado com frequência em abril deste ano. ''Há uma certa dificuldade de conseguir doadores por este sistema, pois é preciso uma maior disponibilidade de tempo (veja quadro nesta página). Além disso, o kit utilizado para a coleta é aproximadamente 15 vezes mais caro que a bolsa de coleta utilizada no sistema tradicional'', explica a hematologista Mariza Saito.
A vantagem do sistema, segundo a médica, é o rendimento: a quantidade de plaquetas conseguidas em apenas uma doação por aférese corresponde a aproximadamente oito doações convencionais. As plaquetas, explica, são utilizadas por pacientes que fazem quimioterapia, têm doenças hematológicas e alterações de coagulação, por exemplo, mas geralmente são 'produto de luxo' nos bancos de sangue. Isto porque o tempo de validade das plaquetas são de apenas cinco dias, contra os 42 dias apresentados pelos glóbulos vermelhos.
''Em hospitais de referência, como o HU, sempre temos pacientes precisando de plaquetas. A coleta é feita normalmente uma vez por semana, mas em algumas ocasiões é preciso coletar mais vezes'', afirma Mariza. De acordo com a hematologista, o organismo repõe as plaquetas que são encontradas no plasma em poucos dias. No Paraná, apenas Londrina e Curitiba possuem o equipamento para coleta por aférese.
Contrariando os que ainda acreditam que doar sangue causa problemas à sáude, Vladimir é taxativo: ''Nunca senti nenhum efeito colateral''. Com a tranquilidade de quem está bem familiarizado com os procedimentos, ele diz que é gratificante poder ajudar pessoas que nem conhece.
Atualmente, metade do estoque de sangue do Hemocentro é conseguido com coletas externas, em campanhas realizadas junto a escolas, empresas, igrejas e outros locais públicos. Anteontem foi a vez dos alunos da Pontifícia Universidade Católica (PUC) fazerem doação. Como faz a cada seis meses, o Centro Acadêmico de direito organizou um trote cultural. Além da coleta de sangue, os alunos foram informados sobre os procedimentos para doação de medula óssea.

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