Hemocentro precisa duplicar doações
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terça-feira, 26 de novembro de 1996
Marccio W. Varella 
O Hemocentro de Maringá precisa com urgência dobrar o número de doadores para poder atender aos hospitais dos 28 municípios da microrregião. Hoje, o Hemocentro colhe, em média, sangue de 400 doadores por mês. Esta quantidade é pouca para todos os procedimentos médicos que necessitam de sangue na região, afirma o médico Shigueyuki Horita, 59 anos, clínico do Hemocentro.
Existem poucos doadores, explica Horita, porque as pessoas têm medo da agulha, de pegar doenças, enfim, de não saber o que pode ocorrer com quem doa sangue. Para os que estão em jejum, o Hemocentro oferece um lanche antes e outro depois da doação, composto de frutas, leite com chocolate, suco de frutas, bolachas e pão, além do cafezinho.
Mais importante que o lanche, continua Horita, são os exames sorológicos gratuitos feitos pelo doador. Ele recebe em casa, pelo Correio, o resultado de exames de doenças do fígado, hepatites B e C, de HIV (Aids), HTLV (vírus que poodem produzir paralisias temporárias), doença de Chagas, brucelose, sífilis e fungos. Se algum desses exames der resultado positivo, o doador é chamado ao hemocentro para fazer tratamento e receber orientações, também gratuitos.
A bioquímica Kiyoka Takehashi explica que depois de fazer a tipologia e a sorologia, o sangue é fracionado através de centrifugação refrigerada, em quatro hemocomponentes, que ajudarão a salvar quatro tipo de pacientes: concentrado de hemáceas, para pacientes com anemia; plasma normal ou fresco, para repor volume em pacientes com queimaduras ou hemorragias; concentrado de plaquetas, indicado para leucêmicos; e o crioprecipitadio, feito através do plasma, indicado para hemofílicos.
No último levantamento feito pelo Hemocentro de Maringá, a maioria dos doadores é do sexo masculino e tem em média 33 anos. A assistente social Ângela Tessaro afirma que para doar sangue a pessoa deve levar carteira de identidade ao Hemocentro, ter idade entre 18 e 60 anos, pesar no mínimo 50 quilos e não estar em jejum.
Não podem doar sangue quem já tiver doado há menos de 60 dias, as grávidas e as mamães que estiverem amamentando, quem já apresentou convulsões na idade adulta, quem estiver com gripe, febre ou infecção, for portador de sífilis, malária, Doença de Chagas, for dependente de drogas (álcool, maconha, cocaína) e quem tiver comportamento de risco para Aids ou contraído hepatite após os dez anos de idade.
No Hemocentro de Maringá, o único do governo na região noroeste, o doador passa por uma triagem clínica antes da doção. Os resultados dos exames ficam prontos em 15 dias.


