Cerca de 20% das pessoas que querem doar sangue não podem fazê-lo por não se enquadrarem no perfil exigido para a doação. Outros 5% são impedidos por problemas sorológicos detectados nos exames sanguíneos. Um percentual um pouco menor é dispensado por auto-exclusão ao assumirem comportamentos de risco. Tudo isso é agravado com o preconceito ainda existente em volta da doação. Essas são algumas das dificuldades enfrentadas pelo Hemocentro de Londrina, que atualmente sofre com a falta de sangue dos tipos A+ e O+, que, apesar de serem os mais comuns entre a população, foram mais utilizados neste início de ano e estão com os estoques até 50% abaixo do ideal.
A carência também foi agravada depois que o número de hospitais atendidos pelo Hemocentro na região de Londrina aumentou. A Santa Casa de Jacarezinho (Norte Pioneiro) foi a última unidade a aderir à parceria. Para tentar contornar o problema, o Hemocentro realiza hoje na Universidade Estadual de Londrina (UEL) mais uma coleta externa de sangue. A expectativa da assistente social responsável pela captação de doadores do Hemocentro, Eliana Aparecida Palu Rodrigues, é coletar 100 bolsas de sangue entre os membros da comunidade universitária.
''Captamos aproximadamente 950 bolsas de sangue por mês, e o número de transfusões, de forma geral, acompanha esse volume. Os problemas surgem quando há picos de uso, como aconteceu no início deste ano'', afirmou. O caso atual, de acordo com Eliana, refere-se, por sorte, aos tipos sanguíneos mais comuns. ''Como não podemos prever qual vai ser a quantidade utilizada em cada transfusão, a doação constante é essencial. Já vimos casos em que um paciente necessitou de até 50 doadores'', contou.
O sangue doado é dividido em três fases: plasma, plaquetas e hemácias, que podem ser utilizadas separadamente. A formação de estoques, segundo a assitente social, só é possível com o plasma, que pode ser armazenado por até um ano. ''Mas as plaquetas duram no máximo cinco dias, o que aumenta a necessidade de doações de rotina'', disse.
Para doar sangue, os voluntários precisam ter pelo menos 50 kg de peso, ter entre 18 e 65 anos, estar em boas condições de saúde e não apresentar comportamento de risco. Também é preciso apresentar um documento oficial com foto. Eliana recomenda que pessoas com tatuagens ou piercings doem sangue somente um ano após a realização dos desenhos ou colocação dos brincos.
A unidade de coleta externa de sangue do Hemocentro de Londrina vai atender aos voluntários entre as 8h30 e 18 horas de hoje, em frente ao Núcleo de Bem-Estar da Comunidade Acadêmica (Nubec). Voluntários para doação de medula óssea também serão cadastrados.

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