O Hemepar (Centro de Hematologia e Hemoterapia do Estado do Paraná) discorda do projeto que estimula a doação de sangue e dá direito à realização de exames de rotina, aprovado pela Câmara de Vereadores. ‘‘Somos contra qualquer tipo de troca quando se fala em doação de sangue’’, diz a assistente social do Hemepar, Luciane Buffara Scharf.
Segundo ela, o projeto vai incentivar a doação mas pode atrair pessoas interessadas apenas em fazer os exames. ‘‘Isso vai abrir espaço para que as pessoas mintam na triagem e comprometam a qualidade do sangue’’, observa.
O doador não pode ser usuário de drogas ou ter tido relações sexuais com pessoas pertencentes ao grupo de risco para Aids. Informações como essas são obtidas na triagem, e dependem da sinceridade do doador.
A assistente social do Hemepar diz que, de acordo com a Portaria 1376 do Ministério da Saúde, a doação deve ser voluntária e não remunerada. ‘‘Entendemos que o fornecimento de exames gratuitos seria uma espécie de remuneração.’’
A escassez de sangue é um problema permanente no sistema público de saúde. O Hemepar necessita cerca de 625 doadores por semana em Curitiba, mas recebe uma média de 500 doações. Apenas 26% dos doadores não condicionam a doação à utilização do sangue por parentes ou conhecidos que estão precisando.
‘‘Ainda há muito preconceito sobre o assunto. As pessoas têm medo e não sabem a necessidade que os hospitais têm de sangue’’, comenta Luciane Scharf. Ela lembra que não há risco nenhum na doação. Os materiais são descartáveis e o sangue doado é rapidamente compensado pelo organismo. Para doar, a pessoa deve ter entre 18 e 60 anos de idade, boa saúde e peso acima dos 50 quilos. (G.P.)

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