O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) voltou a autorizar os pousos e decolagens no heliporto próximo às Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu. Desde sábado, a Helisul - empresa que opera há 26 anos com vôos panorâmicos sobre as Cataratas - está atendendo, além de um heliporto a dez quilômetros dos saltos, usuários no interior do Parque Nacional do Iguaçu.
A decisão vale até o segundo semestre do próximo ano quando expira o contrato de concessão do serviço. A partir daí, o Ibama deve reestudar o assunto e incluí-lo no plano de revitalização da unidade. Existe a possibilidade de os helicópteros serem substituídos por balões.
Após um acordo do Itamaraty com o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, o serviço voltou a operar com restrições. De diário, passou a funcionar de quinta a domingo e com um trajeto menos abrangente.
O uso do heliporto, localizado no início das trilhas panorâmicas do parque, foi proibido pelo Ibama em novembro do ano passado. Na ocasião, o órgão atendeu um apelo do corpo diplomático argentino. Uma campanha feita por jornais de Buenos Aires acusava o serviço da Helisul de causar poluição sonora e ser danoso ao ecossistema das aves.
Segundo o governo argentino, o ruído provocado pelos vôos constantes impediria o visitante de ouvir o som produzido pelo turbilhão das águas e que a força dos ventos causados pelo movimento das hélices, danificaria os ovos de ninhos de pássaros raros.
Entretanto, estudos realizados pelo Ibama e pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) consideraram desprezíveis a incidência destes eventuais danos. ‘‘O movimento dos dois aeroportos internacionais da região prejudicam mais o parque que estes vôos panorâmicos’’, exemplifica Apolônio Nelson Rodrigues, chefe do Setor de Manejo do Parque Nacional do Iguaçu.
Os laudos sobre o impacto ambiental dos pousos e das decolagens foram emitidos em 1996. Desde então, a Helisul usa os documentos para se defender das acusações. A legislação argentina continua irredutível. ‘‘Não aceitamos porque, na nossa concepção, o serviço prejudica a fauna e a flora’’, opina Daniel de la Torre, diretor do parque do lado argentino.

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