‘‘Ele sempre foi trabalhador e se esforçava para arranjar serviço e sustentar a família. Agora ele está aí, igual a uma criança, precisando de ajuda para fazer tudo’’. O desabafo é da dona de casa Tereza Gonçalves de Oliveira, comentando a situação do filho, Hélio Gonçalves de Oliveira, 32 anos. Em maio de 1996, ele sofreu um acidente, em frente da casa, no Jardim Ana Elisa 3, em Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina), bateu a cabeça e teve várias sequelas.
Desquitada, Tereza mora com os dois filhos solteiros - Hélio e Joel, 34 anos, que tem problemas mentais - em uma casa pequena, de madeira. Ela conta que às vezes trabalhava como diarista, mas o responsável pelo sustento da família sempre foi Hélio, o filho caçula. ‘‘Ele trabalhava como servente de pedreiro e nunca deixava faltar nada em casa’’, observa.
O acidente aconteceu no dia 5 de maio. ‘‘Ele estava na calçada, em frente de casa, daí veio o carro e bateu nas costas dele’’, relata. ‘‘A batida foi tão forte que ele foi jogado para cima, caiu no capô do carro e foi atirado no gramado da vizinha’’, acrescenta. Socorrido, Hélio foi levado para o antigo Hospital Londrina, em Cambé, medicado e trazido de volta para casa. Segundo a dona de casa, o filho começou a passar mal à noite e, por isso, foi levado para o ambulatório Alto da Colina e, em seguida, para o Hospital Evangélico (HE), em Londrina.
Tereza conta que o filho ficou cerca de 45 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). ‘‘Cada dia saía mais triste do hospital porque ele não melhorava e parecia que não ia aguentar’’, ressalta. ‘‘Graças a Deus ele não morreu’’, afirma.
Trazido de volta para casa, Hélio ficava praticamente imobilizado e no início não falava e não reconhecia ninguém. ‘‘Hoje, pelo menos, ele fala o que gosta, o que quer comer e já reconhece os colegas’’, explica. Apesar das melhoras, Hélio não se movimenta sozinho, fica o tempo todo sentado, tem que usar fraldas e precisa de ajuda para fazer praticamente tudo, como comer e tomar banho. ‘‘Mesmo assim, agradeço por ele estar vivo. Ia ser muito triste se ele tivesse morrido’’, afirma.
Tereza conta que o filho faz sessões de fisioterapia duas vezes por semana, em Londrina. Com exceção dessas saídas e das poucas idas ao médico, ele permanece o tempo todo dentro de casa. ‘‘Os médicos já falaram que eu tinha que tirar ele de casa, que isso ia ajudar na recuperação dele. Mas como vou fazer isso? Não aguento com o peso dele’’, observa. Segundo ela, o filho tem 82 quilos.
A dona de casa acredita que uma maneira de passear com o filho seria usando uma cadeira de rodas. Ela conta que tinha emprestado uma cadeira de uma vizinha, mas era velha e acabou quebrando. ‘‘Já pedi para várias pessoas, mas ninguém conseguiu me arranjar uma’’, lamenta.
Além das dificuldades que enfrenta para cuidar de Hélio, Tereza explica que passa necessidades também para manter a casa, já que não pode trabalhar e deixar os filhos sozinhos. ‘‘Depois de mais de um ano tentando, consegui ‘encostar’ (aposentar) o meu filho e a gente recebe um salário mínimo’’, relata. Ela conta que tem outros cinco filhos casados. ‘‘Mas todos são pobres e têm suas famílias para cuidar. Eles não podem ficar me ajudando’’, justifica.
Segundo a dona de casa, enquanto não conseguia a aposentadoria por invalidez, teve que contar com a boa vontade dos amigos e vizinhos. ‘‘Se eles não me ajudassem, a gente ia passar fome’’, afirma. O motorista do carro que atropelou Hélio, segundo Tereza, nunca ajudou em nada.Mario CesarHélio Gonçalves de Oliveira, 32 anos, junto com a mãe, Tereza: ‘‘Ele está igual a uma criança, precisa de ajuda para fazer tudo’’
Lucilia Okamura

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