Hélio deixa a bebida e ganha vaga de cozinheiro
Migrantes, moradores de rua, doentes (crônicos e mentais), viciados (em bebidas alcoólicas e drogas) e até trabalhadores (desempregados ou com subemprego). Crianças, adolescentes, adultos e idosos. Homens e mulheres. O perfil do público atendido pelas entidades sociais é heterogêneo. Alguns perambulam entre o Albergue Noturno, o SOS e a Casa do Bom Samaritano - o triângulo da pobreza. Entre uma entidade e outra, ficam pelas ruas e mocós (abrigos improvisados em prédios abandonados). Há também os que superam o momento de dificuldade, conseguem emprego, livram-se do álcool ou das drogas e voltam a viver normalmente.
Há até o caso de um alcoólatra que se recuperou e hoje trabalha auxiliando pessoas que passam pela mesma situação. Hélio Gomes, 34 anos, é o cozinheiro do SOS há quase dois anos. Mas, até o início do ano passado, Hélio era um assistido da instituição.
Na primeira vez que passou pelo SOS, Hélio tinha 17 anos. Nascido em Apucarana, trabalhava como bóia-fria em fazendas da região. Sempre vinha passear em Londrina. Bebia até cair ou acabar o dinheiro. Dormia no Albergue Noturno e no SOS. Todas as vezes que passava pelo SOS, a assistente social Mariusa (Cardoso Yoshinaga) tentava me recuperar. Não dava certo. No ano passado, desistiram de mim e não me aceitaram mais aqui, conta.
Uma semana depois de dormir no Terminal Rodoviário, Hélio estava na sarjeta, com a roupa toda suja e sem dinheiro. Decidiu voltar ao SOS só para almoçar. Mariusa não aguentou e disse que iria lhe dar mais uma chance. Aí começou minha recuperação para valer, diz o cozinheiro.
Depois de algumas semanas no SOS, Hélio Gomes passou a cozinhar para todos os assistidos, incluindo as crianças da creche, e foi contratado pela instituição. Alguns meses depois, entretanto, teve uma recaída. Saiu com velhos amigos num final de semana e voltou a beber. Acabou internado na Santa Casa.
Foi duramente recriminado por Mariusa e pela diretora do SOS, Ilda Hey, e percebeu que estava perdendo uma grande chance de recuperação. A recaída me fez ver que se beber corro o risco de perder tudo. Desde o respeito que conquistei das pessoas até meu quarto, com televisão e aparelho de som, conta, orgulhoso de ter conseguido. Tenho a esperança de nunca mais beber na vida.





