Helicópteros estavam em desvio de função
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segunda-feira, 28 de abril de 2003
Luciana PomboEquipe da Folha 
Curitiba - Com a decisão do governador Roberto Requião (PMDB) de não renovar o contrato de aluguel dos dois helicópteros com a Helisul, por medida de economia, os helicópteros pertencentes à Casa Militar passarão a dar apoio às polícias Militar e Civil. Um levantamento feito pelo governo apontou que as duas aeronaves podem perfeitamente suprir as necessidades e que, no período de 1996 a 2002, foram destinados basicamente para vôos de executivos, em desvio de função.
As aeronaves foram compradas no primeiro mandato de Requião como governador, com recursos do Fundo de Reequipamento da Polícia Civil (Funrespol) e do Fundo da Polícia Militar (FUNPM), para serem usadas na prevenção policial, defesa civil e atendimento a emergências. Mas, segundo dados obtidos pela Folha junto ao governo do Estado, em sete anos, os dois helicópteros realizaram 3,1 mil horas/vôo, uma média de 444,17 horas/vôo por ano. No entanto, mais de 995 horas foram para transporte de executivos, o que representa 32% do total de vôos realizados. Outras 205 horas foram utilizadas para filmagens.
Os helicópteros ainda ficaram sob a responsabilidade de secretarias diversas por outras 69 horas. Em outros 15% dos vôos, o destino era de manutenção, recheque ou treinamento dos funcionários da Casa Militar. No total, o uso dos helicópteros em quase 56% dos vôos era estritamente para atividades elencadas como prioritárias para o governo do Estado, mas que nada tinham a ver com o exercício da atividade policial.
Os dados revelam ainda que apenas 21,9% dos vôos dos helicópteros do governo do Estado eram feitos pelos diversos setores policiais para o atendimento de ocorrências: 13,7% dos vôos eram destinados para atividade policial, 4,2% para emergências (Siate), 0,9% para ocorrências do Corpo de Bombeiros, 3,1% da Defesa Civil. As atividades de patrulhamento (prevenção) totalizaram 693,1 horas/vôo, o que representa 22,3% dos vôos realizados no período.
Já os helicópteros que foram locados com a Helisul, nos anos de 2002 e 2003, e que estão sendo dispensados, realizaram 772,54 horas/vôo em sete meses, uma média de 110,36 horas por mês. Noventa e seis por cento das ocorrências atendidas foram classificadas como emergência.
O coronel Antonio Ribas, coordenador do Centro de Operações Aéreas (Caer), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Segurança Pública, destacou ontem a importância em se manter helicópteros para o atendimento da população. O Caer, que também será extinto, era o responsável pelo controle das atividades das aeronaves. ''Não desisto da idéia de termos nosso grupo cuidando dos helicópteros do governo. Mesmo que sejam os dois que já pertencem à Casa Militar'', defendeu. (Colaborou Leandro Donatti)


