A escritora e professora Helena Kolody considerou como mais uma ‘‘brincadeira das crianças’’ o título de vulto emérito de Curitiba que recebeu ontem da Câmara de Vereadores da cidade. A poetisa entende que seus amigos e leitores não devem mais agraciá-la com tantas homenagens. ‘‘Sei que tudo é dado com muito carinho, mas na verdade não mereço esses agrados. Afinal, em todo minha vida, nada fiz, senão cumprir a minha missão de educar e viver feliz’’, diz.
Modesta, a escritora considera que é ela quem deveria homenagear a população curitibana. ‘‘Aqui vivi momentos felizes de minha vida, porque esta terra me acolheu como uma mãe’’, conta Helena, que é também membro da Academia Paranaense de Letras. A escritora nasceu em 12 de outubro de 1912, em Três Barras, município antes paranaense, que hoje pertence a Santa Catarina. Ela diz que sua infância foi relatada na poesia ‘‘Saga’’, do livro ‘‘Sinfonia da Vida’’. ‘‘Vim de meu berço selvagem, lar singelo à beira d’água, no sertão paranaense. Feliz menina descalça, vim das cantigas de roda, dos jogos de amarelinha, do tempo do era uma vez’’.
A poetisa Helena Kolody nunca foi de escrever para ter seu nome na fama. Durante décadas editou seus livros e presenteou os amigos, sem colocá-los à venda. O primeiro foi ‘‘Paisagem do Interior’’, o qual escreveu em 1941. Atualmente, ela tem 19 livros publicados. ‘‘Financeiramente, não enriqueci. Mas, de amizades, cultivei muitas’’, comenta.
A escritora lastima que não possa dar mais aos que a cercam e ajudam. ‘‘Sou uma ave cansada, em que a pena está caindo, e o corpo guarda energia para o último vôo’’, afirma.

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