HEL acusado de cobrança irregular
O Hospital Evangélico de Londrina está sendo acusado de cobrar para realizar cirurgia em um paciente do Sistema Único de Saúde (SUS). A vendedora autônoma Ana Maria da Conceição diz que o HEL pediu R$ 500,00 para fazer uma cirurgia em seu pai, o aposentado Jonas da Conceição, de 68 anos. Ele tem um tumor na próstata e, segundo ela, vem tentando se submeter a uma cirurgia há um ano.
Ana Maria diz que se apresentou no hospital com a guia do SUS, autorizando a cirurgia. Eu fui chamada para falar com uma moça de nome Eronice. Ela me disse que para a cirurgia ser realizada logo eu precisaria pagar R$ 500,00. Alegou que o dinheiro era para compra de medicamentos para a cirurgia e tratamento do meu pai. Afirmou ainda que se eu não pagasse, ele teria de esperar na fila do SUS para ser atendido, afirma. Ela diz ter ficado indignada com a cobrança.
O Hospital Evangélico não cobra nada de pacientes do SUS, o que fazemos é uma triagem, família por família, para averiguar se ela pode colaborar com o hospital, garantiu ontem à Folha o diretor-geral do hospital, Antônio Carlos Ribeiro. Ele respondeu à denúncia feita pela vendedora autônoma, Ana Maria da Conceição, que acusa o HE de querer cobrar R$ 500,00 para fazer a cirurgia de seu pai, o aposentado Jonas da Conceição, de 68 anos.
O diretor do HE nega que tenha sido pedido dinheiro à família de Jonas da Conceição. Afirma que as cirurgias do SUS são marcadas independente da pessoa poder ou não contribuir com o hospital. A cirurgia do senhor Jonas, por exemplo, já está marcada para daqui a 15 dias, informou. Ribeiro explica que os valores pagos pelo SUS são irrisórios e a cada cirurgia realizada através do sistema significa um prejuízo brutal para os hospitais.
Para continuar atendendo a população implantamos esta consulta. Quem pode ajuda, quem não pode é atendido do mesmo jeito, reforçou. Segundo ele, a defasagem dos valores repassados pelo SUS aos hospitais e médicos é a principal responsável pela atual crise no setor da saúde no País. Diz que só em Londrina há cerca de 20 mil pessoas aguardando na fila do SUS por uma cirurgia eletiva porque não há recursos disponíveis para realizá-las.
Submeter os pacientes do SUS a uma triagem econômica é inconstitucional. O alerta é do secretário de Saúde de Londrina, Agajan Der Bedrossian. Os pacientes do SUS não têm que passar por triagem sócio-econômica. O atendimento é garantido pela constituição, independente da classe social da pessoa, explica. Agajan Der Bedrossian lembra que o SUS é universal e aberto a toda a sociedade. As pessoas não são obrigadas a utilizar os serviços do SUS. Mas para todo aquele que quiser, é assegurado o direito de usar sem nenhum ônus, comenta.
O secretário de Saúde orienta aos usuários que insistam pelo direito de atendimento gratuito e lembra que existem vários mecanismos de garantir os serviços do SUS. Um deles, avisa, é procurar a Secretaria de Saúde do município para levar qualquer queixa de problemas no atendimento.Arquivo FolhaPara todosO secretário de Saúde de Londrina, Agajan Der Bedrossian, alerta que os hospitais não podem fazer a triagem sócio-econômica dos pacientes do SUS: inconstitucionalDa Redação





