Érika Pelegrino
De Londrina
A direção do Hospital Evangélico de Londrina está avaliando o pedido feito durante reunião extraordinária do Conselho Municipal de Saúde (CMS) de suspender por 90 dias a decisão de parar de atender o seu pronto-socorro (PS) pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ontem, durante a tarde, a Folha tentou entrar em contato com a direção do hospital, mas segundo informações da assessoria de imprensa os diretores estavam em reunião desde o período da manhã.
Representantes do Conselho Municipal de Saúde, da comissão de saúde do Centro de Direitos Humanos (CDH), dos hospitais de Londrina, dos conselhos locais e regionais de Saúde, o promotor de Defesa e Garantia dos Direitos Constitucionais, Paulo Tavares, e o diretor-geral do HE, Antônio Carlos Ribeiro, estiveram reunidos na quarta-feira à noite, no auditório da Vila da Saúde, para debater o fechamento do PS do HE.
Depois de muita polêmica e discussão, ficou decidido, segundo o promotor Paulo Tavares, que o HE estudará o pedido e em sete dias dará uma resposta. Caso o Evangélico aceite suspender o fechamento do PS por três meses, durante este período uma comissão definida durante a reunião irá fazer uma campanha intensa para levar a população a utilizar mais os postos de saúde.
‘‘Com isto os pronto-socorros da rede terciária ficariam desafogados evitando o fechamento do PS do Evangélico’’, afirmou Paulo Tavares. O presidente do Conselho de Saúde da Região Sul (Consul), Nelson Cardoso, levantou dois pontos: a campanha tem que ter inserção nos veículos de comunicação com custos bancados pelo Poder Executivo, e deve ser um complemento de outras ações.
A principal delas, segundo ele, é a Secretaria Municipal de Saúde promover uma maior resolutividade dos postos de saúde. ‘‘É preciso ficar bem claro que não é por ignorância que a população não usa as unidades básicas, mas porque são deficitárias’’, afirmou.
Esta maior resolutividade, de acordo com o presidente do Consul, depende de mais médicos – clínicos gerais, pediatras e ginecologistas –, de mais medicamentos, de aumentar a quantidade de postos 16 horas – atualmente são apenas dois – e de investir mais em programas de prevenção e promoção da saúde.
Nelson Cardoso cita em especial a necessidade de ampliar o Programa de Saúde da Família (PSF) e implantar o Programa de Agentes Comunitários de Saúde.
‘‘Londrina está carente de programas de prevenção e promoção à Saúde, fundamentais para evitar que as pessoas adoeçam ’’, afirmou. Ele defendeu ainda a auditoria do Fundo Municipal de Saúde, para onde a União manda a verba (cerca de R$ 4 milhões) para o pagamento dos prestadores de serviços do SUS. ‘‘A auditoria não foi aceita, mas vamos insistir nisto.’’, afirmou.
Outra questão levantada durante a reunião e que não foi aceita de imediato, mas será objeto de estudo da comissão, é o estudo da viabilização de um abono aos prestadores de serviço de saúde, depois de um determinado número de atendimentos. A comissão começará a atuar a partir da resposta do HE, mas segundo Nelson Cardoso, independente de ser negativa ou positiva, os segmentos de saúde continuarão pressionando o município para melhorar o atendimento na cidade. O Secretário de Saúde, Agajan Der Bedrossian, foi procurado para falar sobre o assunto, mas não retornou as ligações.Direção do hospital deve decidir em uma semana se acata ou não a proposta de adiar suspensão de atendimento do PS ao SUS
PRAZOEntidades londrinenses sugerem manutenção do atendimento até que a população seja orientada a procurar os postos de saúde; ao lado, o promotor Tavares: ‘‘Com isto os pronto-socorros da rede terciária ficariam desafogados evitando o fechamento do PS do Evangélico’’

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