Um procedimento inédito em Londrina foi realizado anteontem no Hospital Evangélico (HE). Durante 12 horas seguidas, a equipe médica do hospital realizou três transplantes renais em pacientes de Londrina, Kaloré e Cambé. Os três pacientes estão em observação no Centro de Terapia Intensiva (CTI) e passam bem.
César AugustoRosenilda Antonio: agradecimento à família do doadorAs cirurgias tiveram início na terça-feira, por volta das 15h30, quando começou o transplante em Mário Glovienka, 33 anos, de Londrina. Enquanto a cirurgia era realizada, Rosenilda Antonio, 41 anos, de Cambé, era preparada para também ser submetida a transplante. Por último, Paschoalino Semem Sato, 61 anos, de Kaloré, recebeu um rim novo. Eles faziam parte da lista de espera da Central de Transplantes.
A equipe foi composta por de sete cirurgiões - quatro nefrologistas, dois anestesistas, além do chefe da equipe, o também nefrologista Marco Aurélio Freitas Rodrigues. ‘‘Foi um esforço muito grande de todos’’, afirma. O médico informa que a realização de três cirurgias em 12 horas pôde acontecer porque houve a coincidência de aparecerem dois doadores cadáveres no mesmo dia.
Os rins transplantados em Paschoalino Sato e Rosenilda Antonio foram retirados de Vanderlei Lopes Costa, 27 anos, morto em um acidente de trânsito, em Londrina. De Vanderlei Costa, segundo o médico, foram retirados também as válvulas do coração. ‘‘As córneas não puderam ser aproveitadas pelo tipo de traumatismo’’, observa.
César AugustoMarco Aurélio Rodrigues: ‘‘Esforço grande de todos’’Mário Glovienka recebeu um rim de Delmo Gonçalves dos Santos, 21 anos, de Cambé, que se suicidou. O outro rim da vítima não pôde ser reaproveitado. A irmã de Delmo, Elaine dos Santos, informa que a família optou pela doação porque era uma vontade do irmão. ‘‘Ele sempre falava que gostaria muito de ajudar os outros de alguma maneira e que quando morresse, era para aproveitar os órgãos’’, conta. Também foram retiradas as válvulas do coração e o fígado - este último foi enviado para Curitiba.
O médico Marco Aurélio informa que do ponto de vista clínico e cirúrgico, os três pacientes estão bem, mas que ainda é cedo para avaliar o resultado. Os três devem ficar de três a quatro dias no CTI e depois serão transferidos para uma unidade semi-intensiva.
Paschoalino Sato conta que se submeteu à hemodiálise durante dois anos. ‘‘Eu já não andava mais de tão ruim que estava’’, lembra. Depois de se recuperar, ele pretende voltar à trabalhar na lavoura.
Rosenilda Antonio informa que estava na fila esperando um transplante há dois anos. ‘‘Eu quero agradecer de todo o meu coração à família que doou. Espero que outras pessoas possam fazer o mesmo porque é muito triste essa vida de hemodiálise’’, afirma.
Segundo a coordenadora geral da Central de Transplantes, Elza de Lara Bezerra, neste ano foram realizados 29 transplantes renais (13 de doadores vivos e outros 16 de doadores cadáveres). Levando-se em conta que a fila de espera por um rim é de 286 pacientes na macrorregião de Londrina (Jacarezinho a Apucarana), ela observa que o número de cirurgias é muito baixo. ‘‘Deveriam ser realizados 68 transplantes por ano apenas para manter a fila.’’

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