A partir de 1º de janeiro todo paciente que procurar o Hospital Evangélico com uma lesão na mão, que necessite de cirurgia ou tratamento clínico, será atendido por um especialista na área. O hospital está implantando o Serviço de Cirurgia de Mão e Microcirurgia Reconstrutiva, com plantão médico 24 horas.
O chefe do novo setor, médico Edson Kenji Takaki, explica que sem esse serviço estruturado o paciente dependia da sorte para cair nas mãos de um especialista. Ou seja, no caso de um acidente em que alguém tivesse um membro decepado, o paciente era atendido por um ortopedista, cirurgião plástico ou qualquer outro médico de área afim. O paciente só seria operado por um especialista em microcirurgia (cirurgia feita com ajuda de microscópio) se ele estivesse de plantão ou fosse encontrado na Cidade.
Takaki relembra o que aconteceu com Alcilene Caldeira da Silva, que teve o braço decepado em janeiro de 1993 num acidente de ônibus. O médico conta que ia viajar de férias com a família na manhã do dia do acidente. ‘‘O pai de um menino que precisava ser operado pediu para que eu fizesse a cirurgia pela manhã no garoto’’, diz. Takaki, então, adiou a viagem para depois do almoço. Foi quando ocorreu o acidente com Alcilene.
A moça, na época com 17 anos, chegou ao hospital sem o braço direito. ‘‘Preparei o material cirúrgico para reimplante. Mas não achavam o braço. Esperamos bastante. A equipe médica resolveu então fazer o trabalho de amputação. Quando preparávamos os instrumentos - que são bem mais rústicos do que os de uma cirurgia reconstrutiva - chegou o braço.’’ A moça, que mora em Tocantins, está com todos os movimentos e a sensibilidade do braço recuperados.
Há muitas histórias nos 10 anos em que Takaki faz esse tipo de cirurgia. Foram mais de 100 reimplantes de membros e mais de 500 microcirurgias feitas pelas equipes médicas do Evangélico. Com o novo setor, o hospital tem capacidade para atender até três cirurgias simultâneas de reimplantes. ‘‘É um reconhecimento desse trabalho pelo hospital, que agora dá toda a estrutura necessária para que a população tenha segurança e qualidade’’, diz Takaki.
O médico afirma que o destino do paciente com trauma na mão é selado no primeiro atendimento. ‘‘Se for bem-feito, o prognóstico é o melhor dentro dos limites da lesão. O paciente pode perder o membro se não tiver o primeiro atendimento adequado.’’
O cirurgião acredita que, com o novo setor, vai aumentar a demanda pelo serviço no Hospital Evangélico. Atualmente, são operados em média dois pacientes com lesões graves e 20 com traumas nas mãos por semana. Segundo Takaki, 80% dos casos de reimplantes de membros superiores são causados por acidentes de trabalho, na área industrial. Por isso, predominam os pacientes homens, em idade produtiva. Os acidentes de motos e atropelamentos lideram as causas de reimplantes dos membros inferiores, principalmente do joelho para baixo.
O primeiro reimplante de dedos da mão em Londrina foi realizado por Takaki em julho de 1986 no Evangélico. Takaki conta que naquele ano - época do Plano Cruzado - nunca se operou tantas mãos. ‘‘Com o excesso de horas extras, os trabalhadores dormiam em cima da máquina.’’
O membro decepado deve ser levado ao hospital do jeito que for encontrado - não precisa ser lavado. Ele deve ser colocado num saco plástico bem fechado, que será então posto no gelo ou na água gelada. ‘‘A cirurgia na mão é muito delicada. Não é uma simples emenda. A mão tem peculiaridades que, para sua reconstrução, requer várias técnicas e cuidados. A ligação de ossos, tendões, nervos e vasos sanguíneos precisa ser feita de forma adequada para que a pessoa recupere os movimentos e a sensibilidade.’’

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