HE cria comissão de combate à trombose venosa
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segunda-feira, 27 de outubro de 1997
Lucília Okamura 
Londrina
Dorico da SilvaPrevençãoJosé Manoel Silvestre, do HE: A trombose, muitas vezes, prolonga a internação do pacienteA incidência de trombose venosa profunda (TVP) em pacientes internados é bastante comum. Segundo estatística mundial, 60% das pessoas submetidas a cirurgia ortopédica desenvolvem a doença - formação de coágulos (sangue no estado sólido) nas veias das pernas.
Foi justamente para reduzir o número de pacientes com trombose venosa, que o Hospital Evangélico (HE) de Londrina criou a comissão de prevenção da TVP.
O presidente da comissão, o cirurgião vascular José Manoel Silvestre, explica que a trombose traz como consequência mais grave o desenvolvimento da embolia pulmonar - deslocamento dos coágulos das pernas para o pulmão. A embolia surge em 90% dos casos de trombose venosa, observa.
Trata-se, segundo o médico, de uma doença grave e que pode levar o paciente à morte. A evolução da trombose para embolia pulmonar pode ocorrer, em determinados casos, em questão de horas.
Pacientes que ficam deitados sem movimentação já têm predisposição para desenvolver a trombose. José Manoel Silvestre explica que a incidência de TVP ocorre em 60% dos pacientes com derrame e 30% das pessoas submetidas a cirurgia geral. Estas estatísticas são mundiais mas, afirma o médico, refletem também a situação no Brasil.
A prevenção em hospitais é um trabalho recente no País. A comissão de prevenção do HE é a primeira a ser criada no Norte do Paraná e é formada por 11 médicos, duas enfermeiras e uma fisioterapeuta.
O trabalho da comissão do Hospital Evangélico consiste basicamente em orientar os médicos quanto ao risco do desenvolvimento da trombose venosa e, consequentemente, da embolia pulmonar.
José Manoel Silvestre explica que os médicos receberão um protocolo para cada paciente. Neste documento são identificados os fatores de risco, como idade (acima de 40 anos), doenças neoplásicas (câncer), cirurgias prolongadas, infecções graves e uso de anticoncepcionais.
Baseado no somatório do protocolo, o paciente é enquadrado em baixo, médio ou alto risco para o desenvolvimento da doença. Para cada caso serão tomadas determinadas medidas para prevenir o surgimento da trombose.
Para pacientes de alto risco, por exemplo, são recomendadas a retirada o mais rápido possível do paciente da cama, movimentação ativa e passiva no leito, uso de aparelhos ortopédicos que impedem que o sangue fique parado na veia das pernas e uso de anticoagulantes.
O presidente da comissão de prevenção afirma que a expectativa é de reduzir bastante a incidência de pacientes com trombose no hospital. Ele acredita que com o trabalho desenvolvido pelo grupo, a incidência de pacientes de médio risco cairá de 30% para menos de 10%.
Para pacientes de alto risco, a redução será de mais de 50% para menos de 20%, aposta. Além de evitar mortes por embolia pulmonar, o trabalho da comissão de prevenção deve trazer como consequência a redução no tempo de internação hospitalar.
A trombose, muitas vezes, prolonga a internação do paciente, diz José Manoel Silvestre.


