HCL poderá reduzir fila de cirurgias
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terça-feira, 02 de setembro de 2014
Viviani Costa<br>Reportagem local 
Londrina - Luiz Fernando e Ana Beatriz moram na mesma cidade, em Primeiro de Maio, a 67 quilômetros de Londrina. Os dois se conheceram no Hospital do Câncer de Londrina (HCL) onde fazem tratamento contra leucemia. Luiz Fernando tem apenas três anos. Os cabelos caíram por causa das sessões de quimioterapia, uma delas feita durante sete dias ininterruptos. Entre idas e vindas de Primeiro de Maio, o menino se diverte com jogos instalados no celular dos pais.
A descoberta da doença ocorreu em junho deste ano quando Luiz Fernando teve febre alta, um dos primeiros sintomas da infecção. O diagnóstico inicial era de virose. Só após dez dias de insistência dos pais, os médicos verificaram que se tratava de leucemia. Na última semana, o menino sofreu uma recaída no tratamento e precisou de um leito de UTI. "Não tem muitos leitos por aqui. Nós ficamos esperamos por uma vaga que não existiu. Com a demora, eles fizeram adaptações por aqui mesmo e a gente evitou o deslocamento. Só quem vive essa rotina intensa de tratamento contra o câncer sabe da importância de uma UTI especializada para as crianças", desabafa a mãe Naline Aparecida Silva.
Hoje, crianças já dividem espaço com adultos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HCL. Do total de 12 leitos, dois são destinados aos pequenos pacientes. O hospital investiu mais de R$ 3,2 milhões na construção e na compra de equipamentos da primeira UTI pediátrica que deve ser inaugurada em 40 dias. A nova equipe formada por cinco cirurgiões pediátricos e oito intensivistas recebeu treinamento durante três meses e já começou a atuar antes mesmo do funcionamento da nova ala que contatá com dez leitos. Outros 70 profissionais de enfermagem serão contratados pelo HCL.
Com o novo espaço para atendimento, o administrador geral do Hospital do Câncer de Londrina, Edmilson Garcia, ressalta que será possível realizar cirurgias de tumores sólidos. "Hoje nós só conseguimos fazer o tratamento das crianças que possuem os chamados tumores moles, como a leucemia, por exemplo. Nestes outros casos, é necessário encaminhar os pacientes para Curitiba ou São Paulo", explica.
Conforme Garcia, mais de 500 crianças de Londrina e região estão na fila de espera para a realização de cirurgias que precisam ser feitas durante o tratamento. "A demanda ainda é uma incógnita para nós. O HCL é referência para mais de 202 municípios. Há 400 crianças em tratamento no HCL vindas de várias cidades do paraná", afirma. No quarto andar, onde fica a ala de pediatria, serão instalados leitos semi-intensivos para crianças.
"A nova UTI vai evitar um desgaste físico e emocional ainda maior para as famílias, já que elas não precisarão se deslocar para outras cidades", destaca o administrador geral do hospital. A amiga de Luiz Fernando, Ana Beatriz, teve algumas passagens pela UTI do HCL, onde permaneceu internada com os adultos. Hoje, com 11 anos, a menina exibe os cabelos compridos que chegou a perder por duas vezes ao longo do tratamento. Como recado para as outras crianças que enfrentam a doença, ela garante: "Aos poucos a gente vai melhorando", diz, otimista. A menina assimilou a rotina do hospital e agora sonha em se tornar pediatra para cuidar de outras crianças com câncer.


