Da Sucursal

Gilson CamargoTudo bem outra vezO estudante Anderson Faria, 14 anos, que retornou ontem ao HC para mais uma sessão de fisioterapia na perna: ele nem notou que houve paralisaçãoA rotina do Hospital de Clínicas (HC), em Curitiba, não foi restabelecida ontem, no primeiro dia de retomada de suas atividades normais. Após quase um mês de redução nos atendimentos emergenciais, o hospital registrou ontem menos de 60% do movimento esperado. ‘‘Foi por pura falta de divulgação, amanhã (hoje) certamente os pacientes irão retornar ao HC’’, declarou o diretor-geral Antônio Carlos Ligocki Campos.
Ele explicou que os estoques básicos de alimentos e medicamentos foram repostos com uma verba de R$ 340 mil, repassada pelo governo federal, além de alguns valores atrasados do SUS, pagos recentemente. ‘‘Estamos agora aguardando pelo repasse inicial de R$ 2 milhões, prometido durante a assinatura de uma parceria entre governo do Estado, Prefeitura de Curitiba e Universidade Federal do Paraná (UFPR).’’
Durante toda a manhã de ontem, o diretor do HC e o reitor da UFPR, José Henrique de Faria, estiveram reunidos. ‘‘Estávamos falando sobre isso, sobre a operacionalização deste convênio’’, disse Campos. ‘‘É claro que contamos com esta verba e esperamos por este dinheiro. Foi um compromisso firmado pelo governo.’’
Durante a assinatura da parceria, realizada na última quinta-feira, o governador Jaime Lerner explicou que haverá novos repasses financeiros para o HC, além da verba inicial, cuja frequência e valor ainda não foram definidos.
O reitor da UFPR informou que a dívida do HC junto aos fornecedores é superior a R$ 5 milhões. ‘‘O repasse de R$ 2 milhões será suficiente apenas para reestabelecermos nossa credibilidade junto aos fornecedores e retomarmos nossas atividades.’’
O HC, que responde por 25% dos atendimentos realizados pelo SUS em Curitiba e realiza a média diária de 2.500 atendimentos emergenciais, chegou a registrar apenas mil atendimentos semanais, durante o último mês. Apesar disso, o diretor-geral afirmou que nenhum setor foi penalizado, já que não houve paralisação total, apenas redução nas atividades.
Na opinião do médico, a assinatura deste convênio não significa a superação total da crise do hospital. ‘‘Estamos na fase de apagar incêndios’’, comentou. A comissão formada tem as funções de fiscalização e proposição de medidas necessárias ao bom funcionamento do HC. Uma das sugestões iniciais é de que o MEC assuma parte da folha de pagamento do hospital, estimada hoje em R$ 1 milhão e 700 mensais.

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