HC suspende atendimento a gestantes
Maigue Gueths
De Curitiba
A direção do Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba decidiu suspender temporariamente o atendimento a gestantes por falta de condições para internar e atender os bebês que nascem em situação de risco. A suspensão será mantida até que o hospital consiga reduzir a lotação da UTI neonatal, que possui 24 leitos mas hoje abriga 37 recém-nascidos em condição clínica frágil. A superlotação da UTI, denunciada ontem em reportagem na Folha, será investigada pelo Ministério Público.
O diretor do corpo clínico do HC, Giovanni Loddo, e o responsável pela maternidade, José Sória Arrabal, afirmaram ontem que não há solução a curto prazo para o problema de superlotação constante da UTI neonatal do hospital. Um problema é que o hospital virou referência no tratamento de bebês com risco e, por isso, recebe muitas crianças nesta situação enviadas por outros hospitais e até de outras regiões do Estado, diz o diretor clínico.
Mesmo assim, exceto em casos de urgência, até conseguir reduzir a lotação da UTI, todas as gestantes que procurarem o HC serão encaminhadas a outras maternidades, com atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Diante desta situação, o hospital já comunicou a Procuradoria de Defesa da Saúde Pública do Ministério Público, a Central de Leitos, Conselho Regional de Medicina (CRM) e Secretaria Municipal da Saúde sobre a sua decisão.
Segundo o promotor Ivonei Sfoggia, coordenador do Centro de Apoio aos Promotores de Defesa da Saúde Pública, do Ministério Público, não é a primeira vez que o HC comunica a promotoria sobre a suspensão do atendimento às gestantes em função da superlotação na UTI neonatal. Em janeiro, o órgão instaurou processo para verificar as causas da superlotação e os riscos para a saúde dos bebês. Em ofício datado de 16 de março, o secretário municipal da Saúde, Luciano Ducci, garantiu que a rede hospitalar de Curitiba teria condições de atender ao excesso de demanda no HC, mesmo no caso de bebês de risco.
O Ministério Público, entretanto, pretende retomar o processo para apurar as denúncias publicadas pela Folha. Queremos saber porque eles colocaram 37 crianças num local cuja capacidade é de 24, se o sistema pode absorver este excesso e porque estas crianças ficaram lá com risco de comprometer a saúde delas, questiona.
O diretor clínico garante que a equipe médica está fazendo de tudo para poder atender o máximo de crianças sem expô-las a risco. Ele admite que a superlotação aumenta a possibilidade de infecção hospitalar, principalmente porque os bebês daquela unidade já têm a saúde debilitada. A maioria das crianças tem no máximo um quilo, nascem prematuras ou com alguma doença genética ou adquirida no período de gestação. Por questão de segurança, para não comprometer quem já está aqui, decidimos suspender o atendimento, explica.
O HC chega a fazer cerca de 300 partos por mês, sendo entre 70% a 80% gestações de alto risco. Segundo o médico Sória Arrabal, já existe um projeto para ampliação da UTI neonatal, o qual está sendo atualizado e em vias de viabilização, com a ajuda da Associação dos Amigos do HC, da Comissão da Maternidade e de entidades de empresários ligados à área da construção e do comércio. O projeto prevê a ampliação da capacidade do setor de 24 para 49 leitos. Prazos e previsões sobre a execução deste projeto ainda não existem.Ministério Público vai investigar as denúncias feitas pela Folha e questi onar o hopsital sobre o excesso de bebês na UTI neonatal
José SuassunaALTA DEMANDAGiovanni Loddo, diretor clínico do HC, explica que o hospital recebe recém-nascidos de todo o Estado





