HC sofre com falta de medicamentos
Faltam medicamentos para pacientes do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que faz cerca de 62 mil atendimentos ao mês, quase sua totalidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O hospital é o maior do Estado no atendimento a esses pacientes. Não há, entre eles, antibióticos de última geração - que são os mais caros -, remédios para cardíacos, e instrumentos como catéteres importados e peças de reposição de equipamentos. Conforme o diretor-geral do HC, Mitsuru Miyaki, a situação pode inviabilizar o atendimento em menos de um mês, se nada for feito.
O diretor-geral pretende viajar amanhã para Brasília na tentativa de sensibilizar o Ministério da Educação. Miyaki quer que o governo Federal assuma a folha de pagamento de cerca de 1.500 funcionários, que hoje consomem cerca de R$ 1,6 milhão de recursos que deveriam ser destinados ao atendimento. Além disso, pedirá outros recursos que, segundo ele, já estão previstos no orçamento da União de 1999. Acuado pelas dívidas, o diretor argumenta que é atribuição do governo Federal bancar a folha de pagamento, o que não é feito desde a década de 80.
Com dívidas acumuladas mensais de R$ 500 mil - o total não é divulgado pelo hospital -, Miyaki afirma que o modelo de administração e a desvalorição do real frente ao dólar são as razões da penúria por que passa o HC - que faz com que pacientes pobres tenham que comprar em farmácias remédios caros. Segundo Miyaki, em virtude da crise econômica, o governo Federal anunciou em outubro medidas de ajuste fiscal, proibindo que os hospitais universitários gastassem além do que têm em caixa. Antes, mesmo sem o dinheiro, o HC podia usar até o limite do previsto no orçamento.
O corte fez com que o hospital determinasse rigoroso controle nos gastos e somente o que era extremanente necessário vinha sendo comprado. A situação é preocupante e a solução tem que ser rápida, disse Miyaki. O diretor afirma que nenhum setor do hospital foi afetado por completo, mas admite que certas doenças não estão sendo tratadas de forma adequada.
Segundo Miyaki, os problemas ainda são isolados e alguns devem ser resolvidos em poucos dias. Estamos num processo. Medicamentos que estão faltando hoje, podem chegar amanhã, disse. Apesar disso, os números mostram que sem recursos o estrangulamento do hospital será inevitável: dos cerca de R$ 2,9 milhões que recebe do Ministério da Saúde, relativos aos atendimentos do SUS, 60% são destinados a cobrir parte da folha de pagamento (1.500 empregados). O restante da folha (2.000 funcionários) são pagos com recursos do Ministério da Educação.





