Da Sucursal

Kraw PenasA paraguaia Norma Rivero e a mãe, no HC: transplante de fígado há um mêsPacientes que não falam português, não são conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e não têm nenhum vínculo com o Brasil também fazem parte da rotina do Hospital de Clínicas (HC), em Curitiba. Apesar das grandes dificuldades financeiras, o HC atende a cerca de 15 pacientes estrangeiros todos os meses.
‘‘Geralmente eles vêm em busca de tratamentos complexos, como cirurgias cardíacas, transplantes ou neurocirurgias’’, explicou o diretor de serviços do hospital, Ângelo Tesser. Em 1996, o HC recebeu 175 pacientes vindos de países do Mercosul, do México e até de pontos distantes no planeta, como o Afeganistão.
O pagamento é feito ao hospital pelo SUS, de acordo com diferentes negociações com as respectivas embaixadas dos países que utilizam os serviços. Na opinião do médico, a burocracia criada com esta ‘‘barreira econômica’’ afasta alguns pacientes que poderiam utilizar o HC.
Tesser comentou que o transplante de medula óssea, por exemplo, é bastante procurado por pacientes de outros Estados e países. O HC foi o primeiro hospital da América Latina a realizar a cirurgia e é considerado referência nacional no assunto.
Atualmente, apenas uma paciente estrangeira ocupa um dos leitos do HC. A paraguaia Norma Rivero, 17 anos, realizou um transplante de fígado, há um mês. Ela passa bem e deixará o hospital nos próximos dias.
‘‘Há dois anos tive que parar de estudar por causa de uma hepatite crônica. Não vejo a hora de retornar à minha vida normal’’, disse Norma, natural da cidade de Luque.
A mãe da paciente, Luciana Rivero, disse que elas jamais imaginaram vir ao Brasil para realizar a cirurgia. ‘‘Seria impossível ter feito este transplante no Paraguai’’, admitiu.
Após receber alta do HC, Norma terá que permanecer em Curitiba durante dois meses, para fazer exames e o acompanhamento pós-operatório. ‘‘Ficaremos hospedadas numa associação evangélica’’, contou a mãe.

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