James Alberti
De Curitiba
O Banco de Leite Humano do Hospital de Clínicas, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), precisa de doações urgentes para suportar a demanda de 300 litros por mês. O leite é destinado ao bebês prematuros do HC e de outros cinco hospitais de Curitiba e região metropolitana. O temor da direção do Hospital de Clínicas é de que um feriado prolongado ou outro fator possam prejudicar o fornecimento, feito por cerca de 120 doadoras voluntárias.
A enfermeira Maria Celestina Bonzanini Grazziontin, chefe do setor, diz que os estoques garantem o consumo por três dias. Segundo ela, o banco ainda não apresenta déficit de leite. A intenção, no entanto, é evitar tal possibilidade. ‘‘A gente não gosta de trabalhar no risco’’, diz. Embora não tenha havido baixa nas doações de leite, o problema pode ser causado pela alta do consumo, que tem sido significativa, segundo Maria Celestina.
Além de ajudar na amamentação dos prematuros, a doação também favorece as mães doadoras. A retirada de um pouco do leite antes da amamentação é necessária para diminuir as dores nos seios e afastar o risco do bebê engasgar com o excesso de leite. ‘‘Não tem mão© de-obra nenhuma e tirar alivia para a gente e facilita para o beb꒒, diz a jornalista Flávia Bergaschi Cordeiro, 22 anos, uma das 120 que doa leite ao banco do HC.
Apesar de haver outras alternativas, Maria Celestina afirma que o leite humano garante melhor desenvolvimento aos bebês prematuros, principalmente com relação ao sistema nervoso. ‘‘O desenvolvimento fica mais próximo do normal’’, explica.
Antes de ser utilizado, o leite doado é pasteurizado e analisado em laboratório. O cuidado, segundo Maria Celestina, é para garantir que o leite seja estéril e impedir transmissão de doenças.
No entanto, por desconhecimento, muito leite é desperdiçado. Mãe de um menino, chamado Bruno Cordeiro, nascido há três meses, Flávia Cordeiro jogou fora o leite que retirou durante os 15 primeiros dias após o parto. Só então soube do banco de leite humano. A partir daí, tornou-se doadora.
A cada semana, ela entrega aos funcionários do HC um litro de leite. O líquido é guardado em dois vidros, que ficam sempre no freezer. ‘‘Acho que todas as mães que podem deviam fazer isso.’’ O fato de ajudar as famílias dos prematuros é outro fato importante, diz a jornalista. ‘‘Poderia ter acontecido comigo. Eu sofreria muito se não pudesse alimentar meu filho e, por isso, acho a doação muito importante’’, afirma.
A campanha do Hospital de Clínicas por doações também quer resgatar e incentivar o aleitamento materno, que diminui a mortalidade infantil. Conforme Maria Celestina, por causa da propaganda da indústria de leite, o aleitamento foi equivocadamente abandonado.

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