HC pode perder verba de R$ 4,3 mi
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quinta-feira, 11 de dezembro de 1997
Guilherme Vieira 
Especial para a Folha
Marcelo AlmeidaJosé Euridis Lima: viagem de 320 km para ser atendido no HCOs dirigentes de saúde do Paraná e do Hospital das Clínicas esqueceram em alguma gaveta do Ministério da Saúde em Brasília um projeto que garantiria verba federal de R$ 4,3 milhões ao hospital, e estão quase perdendo o prazo para viabilizá-la. Irresponsabilidade, incompetência ou descuido, o fato é que desta vez os deputados federais paranaenses fizeram sua parte, no início do ano, quando deixaram de lado emendas pessoais e, através de emenda conjunta, reservaram para o HC todo esse dinheiro.
Os deputados criaram uma emenda ao Orçamento da União de 1996, destinando recursos para a reforma do Pronto Atendimento do HC (R$ 1,3 milhão) e para a construção do Instituto da Visão e Comunicação (R$ 2 milhões) e da Unidade Coronariana (R$ 400 mil), além de R$ 600 mil para aplicações diversas no hospital.
Segundo o diretor-geral do HC, Antonio Carlos Campos, o projeto foi realizado quando sua equipe estava assumindo, no primeiro semestre deste ano. Nesse período a proposta foi enviada a Brasília e a troca de comando no HC teria impedido o acompanhamento do projeto. Fomos perceber a dificuldade quando saiu a aprovação de um outro projeto do Reforsus de R$ 267 mil para o HC, no mês de novembro. Cobrei então da minha assessoria uma posição e foi dito, na época, que por estar sem barulho deveria estar tudo certo. Gostaria de falar com o secretário da saúde Armando Raggio para saber o que ele vai dizer, disse o diretor do HC.
Aconteceu que o relator da proposta, senador Carlos Bezerra (PMDB/MS) modificou o projeto, alterando a emenda do Orçamento que foi inserida no Reforsus, programa que recebe verbas internacionais. A partir daí as coisas mudaram de rumo, com o projeto passando pela Secretaria Estadual de Saúde, que o remeteu novamente para Brasília sem fazer contato com o HC. Na capital federal, o documento ficou esquecido até novembro.
Para o secretário Armando Raggio, a diretoria do Hospital das Clínicas conhecia o projeto e não pode esperar que a Secretaria de Saúde faça o acompanhamento de suas propostas. A opinião não é compartilhada pelo diretor de Serviços Médicos do Hospital das Clínicas, Ricardo Moreira. Durante solenidade no mês de novembro no HC, ele disse estranhar as dificuldades de relacionamento com as autoridades de saúde pública paranaenses, que além de não cooperarem com os projetos do HC estão agindo com hostilidade em relação à diretoria.
Mas nem tudo está perdido. Segundo o secretário da Saúde, há hoje duas chances desses projetos saírem do papel. Uma acaba no dia 31 de dezembro, data em que a emenda do Orçamento perde seu efeito. A outra alternativa é através do Reforsus, que numa primeira etapa liberou R$ 14 milhões para o Paraná - uma fatia desses recursos pode ser utilizada para realizar ao menos parte do projeto do HC.


