HC nega surto e admite ação da bactéria
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segunda-feira, 11 de setembro de 2000
Valmir Denardin De Curitiba 
A direção do Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba negou ontem que um surto de infecção hospitalar provocado por uma bactéria resistente a medicamentos tenha causado a interdição de sua Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) de adultos, conforme a Folha noticiou na edição da última sexta-feira. O HC confirmou, no entanto, que três pacientes contaminados pela bactéria estão isolados no hospital. Outros dois já morreram, no início de agosto.
A Acinetobacter baumannii é uma bactéria considerada comum, que está presente na água, no solo e no ar. Cerca de um quarto da população é portadora desse microorganismo. Ela não tem efeito sobre pessoas sadias, mas pode atacar quem está com a saúde debilitada ou passou por cirurgias, provocando infecção generalizada, infecção no coração ou pneumonia, por exemplo. Esse é o risco de sua proliferação em um ambiente hospitalar.
Outro problema é que o microorganismo é altamente resistente a antibióticos, o que dificulta o seu controle. Mas, segundo o diretor do corpo clínico, Giovanni Loddo, o HC possui medicamentos em seu estoque capazes de destruí-lo.
Segundo Loddo, esses fatores justificam o isolamento dos três pacientes contaminados. Dois deles um homem, alcoólatra e acometido de pneumonia; e uma mulher idosa, com derrame cerebral estão no Serviço de Emergência Central (SEC), uma espécie de UTI para pacientes de menor gravidade. A terceira vítima uma mulher, que esteve no hospital para tratar de uma fístula abdominal no mesmo ambiente em que ficaram as duas vítimas fatais foi reinternada ontem. Ela está isolada em um quarto no 8º andar.
De acordo com o médico, os três são apenas portadores da bactéria, o que significa que ela não estaria, pelo menos por enquanto, provocando efeitos em seus organismos. Todos estão internados devido a graves problemas de saúde, sem relação com a bactéria. Loddo afirmou que eles recebem medicação apenas para as doenças que sofrem. Um tratamento específico para a Acinetobacter baumannii só será iniciado se a infecção pela bactéria se manifestar.
Segundo ele, também não há confirmação de que as duas mortes tenham sido provocadas diretamente pela bactéria. Uma das vítimas foi internada com um quadro gravíssimo de pneumonia e a outra, com uma doença cardíaca grave. Loddo admitiu, no entanto, que a bactéria pode ter agravado o estado dos dois.
Ligado à Universidade Federal do Paraná (UFPR), o HC é o maior hospital público do Paraná. Ontem, tratava de 450 pacientes.


