Giovani Ferreira
De Curitiba
Apesar de garantir que está tudo sob controle, a direção do Hospital de Clínicas (HC), em Curitiba, não está permitindo o acesso da imprensa à UTI neonatal, que, conforme denúncias publicadas pela Folha, está superlotada. Ao mesmo tempo em que garantem que não estão escondendo nada, os médicos não autorizam o registro de imagens da ala onde estão os recém-nascidos. Com capacidade para 24 bebês, no início da semana a UTI estava com 37 crianças e ontem baixou para 30.
Para justificar a decisão de não permitir o acesso da imprensa à UTI, a direção do HC informou que trata-se de um direito constitucional de se preservar o direito de imagem. No entanto, em outras oportunidades, quando a UTI neonatal era motivo de referência para o hospital, a direção nunca se opôs a liberar o registro de imagens.
A redução no excesso de pacientes aconteceu porque o HC suspendeu novas internações de gestantes em situação de risco. Essa foi a única maneira encontrada pelo hospital para tentar amenizar a situação a curto prazo, já que para atender a demanda seriam necessários novos investimentos em estrutura física, equipamentos e pessoas. Giovanni Loddo, diretor clínico do HC, explicou que já existe um projeto de ampliação, com a possibilidade de se chegar a 40 ou 50 leitos para recém-nascidos, mas isso ainda não tem prazo para ser concretizado.
Na avaliação de Loddo, os leitos que existem em Curitiba, assim como os do HC, poderiam ser suficientes para o atendimento da população da Capital. Porém, continua o médico, muitos bebês são encaminhados por hospitais do interior do Estado. Os 30 recém-nascidos que estavam ontem na UTI neonatal eram de 11 cidades diferentes, de várias regiões do Paraná. Outra solução futura, sugere o diretor, é a ampliação do número de leitos neonatal nos municípios do interior.
‘‘Infelizmente’’, disse o diretor clínico, essa não foi a primeira e nem será a última vez que a UTI neonatal do HC estará lotada. Lembrou, que nos últimos anos a lotação média dessa ala ficou em 106%, registrando um excesso constante. Reconhecendo que o risco de uma infecção hospitalar quando existe superlotação é maior do que em condições normais, Loddo esclareceu que existe um limite de tolerância em relação ao excesso de pacientes em um mesmo local. Esse limite, segundo o médico está sendo respeitado.
A suspensão ao atendimento das gestantes em situação de risco permanece por tempo indeterminado. A liberação de novos internamentos só acontecerá quando existirem novas vagas dentro do limite normal de lotação.

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