O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) não tem controle da reavaliação dos pacientes que tomaram comprimidos de um lote falso do medicamento Androcur, usado no tratamento de câncer de próstata. Dos 90 pacientes que vinham recebendo o remédio gratuitamente, dois acabaram morrendo, e os 88 restantes deveriam procurar a equipe médica para uma nova consulta. O Instituto Médico Legal (IML) também se nega a informar o andamento da análise das amostras do medicamento falsificado, que será anexada a um inquérito policial que apura as responsabilidades pelo fornecimento do remédio falso.
O HC não sabe se todos os pacientes que usaram Androcur falso já foram reavaliados. Segundo a assessoria de imprensa, os 88 pacientes foram informados por telefone e carta que deveriam comparecer ao hospital. Mas o Setor de Urologia, responsável pelas consultas, não tem o levantamento de quantas pessoas atenderam ao chamado. O hospital alega que muitos pacientes não moram em Curitiba, o que dificulta a antecipação dos atendimentos, já marcados.
A localização do remédio falsificado comprado pelo HC e a morte do aposentado Teodoro de Lima, 76 anos, no último dia 6 de julho, geraram dois inquéritos, um na Polícia Federal e outro na Polícia Civil. Este último, que ainda está na fase de investigações, terá anexado o laudo da análise das amostras do Androcur que consumido por Lima.
O inquérito teve início com a queixa registrada pela família, na Delgacia de Homicídios. Ela alega que o aposentado teve sua morte antecipada porque ele vinha tomando um remédio sem o princípio ativo.
A análise das amostras foi solicitada ao IML pelo delegado Stélio Machado, responsável pelo inquérito da Polícia Civil. Há vários dias a reportagem da Folha tem procurado informações sobre o andamento do trabalho, mas não é atendida. No Departamento de Toxicologia do IML, a informação que se tem é que todos os funcionários estão proibidos de falar com a imprensa, por determinação da diretoria.

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