Da Sucursal
A Associação Médica Brasileira (AMB) está solidária com o corpo clínico e administrativo do Hospital de Clínicas de Curitiba no que diz respeito à crise por que passa este que é o maior centro de atendimento médico da região Sul do Brasil.
A presença do presidente da AMB, Antônio Celso Nassif, ontem, em Curitiba, foi uma demonstração dessa solidariedade. Ele veio anunciar a adesão e a parceria da AMB ao HC, prometendo fortalecer o movimento que irá pressionar o Congresso Nacional a agilizar o ressarcimento das dívidas do SUS junto ao hospital, estimadas em mais de R$ 6 milhões.
O governo do Estado, a Prefeitura de Curitiba e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) também firmaram um convênio que servirá de base das negociações em Brasília. ‘‘Não é um processo simples, mas temos a perspectiva de recuperar o hospital e reverter esta crise’’, afirmou o reitor da UFPR, José Henrique de Faria.
Ele explicou que o convênio é uma questão política, que demonstrará o peso e a articulação existentes entre a cidade, o Estado e a universidade junto ao Governo Federal.
O futuro presidente da Associação dos Amigos do HC, Euclides Scalco, que tomará posse na sexta-feira, também viajou ontem a Brasília. Segundo a sua assessoria, a tentativa de negociação dos problemas financeiros do hospital junto aos ministérios da Saúde e Educação foi um dos motivos da viagem.
A Associação Médica Brasileira apresentará ao Congresso Nacional, no próximo mês, uma campanha nacional de resgate à credibilidade do sistema público de saúde. ‘‘Iremos propor uma Lei de Incentivos Fiscais à saúde, similar à Lei Sarney, que atende à cultura’’, disse Nassif.
Em sua opinião, o sistema de saúde brasileiro perde possíveis doações de empresas devido à burocracia existente no processo. ‘‘Se eu quisesse doar R$ 1 milhão ao HC, não conseguiria’’, exemplificou. ‘‘Teria que pagar tantos impostos que não iria compensar.’’
Ele informou que a AMB tem condições de ajudar os hospitais públicos, como o HC, e que se tornará ‘‘porta-voz dos 70 milhões de brasileiros que estão jogados à sorte.’’
Uma das primeiras providências práticas tomadas pela AMB para ajudar o HC é a tentativa de repor rapidamente o estoque de medicamentos do hospital. ‘‘Já temos a relação do material que está em falta e estamos tentando doações com fábricas paulistas’’, garantiu Nassif.

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