HC inaugura Banco de Ossos pioneiro
A recuperação de pacientes com câncer nos ossos, ou que correm o risco de ter membros amputados por causa de acidentes traumáticos, vai ser facilitada a partir de agora. O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná inaugurou ontem, em Curitiba, o Banco de Ossos. O novo serviço é fruto do trabalho filantrópico da Associação dos Amigos do HC, que arrecadou R$ 400 mil durante dois anos para transformar o projeto em realidade.
Apesar do nome, o banco não é só de ossos e tem a função de classificar, preparar, embalar, estocar e distribuir ossos, cartilagens, tendões e ligamentos fornecidos por doadores falecidos, selecionados pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde do Paraná. O grande diferencial do serviço é a incorporação de tecnologia americana, que reduz a contaminação por bactérias e permite a realização de testes para impedir que os receptores sejam contaminados por doenças como hepatite, sífilis e até Aids. Trabalhamos com equipamentos de última geração como congeladores japoneses que chegam à temperatura de -85º C e equipamentos que mantêm a pressão do ar positiva, reduzindo as chances de contaminação por doenças e as complicações pós-operatórias, explicou o chefe do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do HC, Gerson Tavares.
O diretor do Banco de Ossos, Paulo Gilberto de Alencar, explicou que inicialmente o serviço vai atender hospitais de Curitiba e Região Metropolitana, podendo ser estendido para outras regiões. No futuro vamos adquirir um equipamento chamado liofilizador para congelar e desidratar os tecidos, ossos e cartilagens, tornando mais fácil o envio de material para hospitais distantes, uma vez que hoje este material tem que seguir em recipientes refrigerados com acompanhamento médico.
Já no primeiro dia de funcionamento os responsáveis pelo serviço já falavam na necessidade da participação da comunidade para manter o banco em operação. O problema é que, por ser pioneiro no País, o serviço ainda não faz parte de nenhuma regulamentação que garanta repasses de verbas do Sistema Unificado de Saúde (SUS). Os gastos para que a unidade funcione estão orçados em R$ 250 mil ao ano. Estamos tentando a regulamentação junto ao Ministério da Saúde e ao Conselho Federal de Medicina, para que passemos a receber os repasses relativos ao novo serviço, explicou Gerson Tavares.
Atualmente, mais de 100 pessoas aguardam na fila pela chance de um transplante de ossos ou tecidos, por falta de material para ser enxertado. Estes pacientes estariam sujeitos a baixa qualidade do material utilizado em cirurgias em razão da pouca tecnologia disponível hoje. O material vinha sendo armazenado em congeladores convencionais, sem cadastro, análises ou exames, o que traz riscos de contaminação e rejeição, disse Alencar.
O Banco de Ossos não tem similar no País. As cidades do Rio de Janeiro e São Paulo também desenvolvem projetos semelhantes, mas ainda não estão em operação.





