HC implanta curso de telemedicina este ano
Especial para Folha
A telemedicina, orientação de exames clínicos e cirurgias à distância, começa a ser implantado no Paraná a partir do próximo semestre. É quando inicia um curso de mestrado, no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, que vai especializar médicos para atuarem com essa nova técnica.
O uso de tecnologias eletrônicas, com imagem e som, para o acompanhamento de procedimentos médicos é uma realidade no Brasil há mais de dois anos. A rede de hospitais Sarah Kubitcheki, por exemplo, realiza operações ortopédicas em Salvador, orientadas por um especialista que assiste os procedimentos em Brasília. Alguns hospitais particulares de São Paulo e Rio de Janeiro também utilizam a telemedicina em neurologia, cardiologia e obstetrícia.
O processo é irreversível. Os hospitais brasileiros estão despertando para a necessidade de utilizar a tecnologia a serviço da Medicina e se capacitando para utilizá-la, acredita o médico Marcelo Iwersen, um dos promotores de uma conferência técnica sobre o tema que reuniu mais de 200 médicos de várias especialidades ontem, no HC. A médica francesa Catherine Viens-Bitker, do Departamento de Telemedicina da Assistência Pública dos Hospitais de Paris, mostrou os avanços do médto na Europa.
A maior vantagem apontada pelos médicos para o uso da telemedicina é facilitar o atendimento de pacientes que se encontram em lugares distantes e de difícil acesso.O paciente não precisa se deslocar do interior para hospitais da capital, enfrentando os riscos para sua saúde e o custo da viagemcomenta Iwersen.
A NASA - agência espacial norte-americana - foi uma das primeiras instituições a usar a telemedicina, a partir da década de 50. Nos anos 70 os países da Europa começaram a utilizar tecnologias eletrônicas de comunicação para atender pacientes à distância. Na França, a rede pública de saúde conta hoje com 28 hospitais equipados com scanners, câmeras digitais e computadores que transmitem imagens e dados dos pacientes.
Através de dois pontos de comunicação, os médicos estudam o caso e tomam decisões em conjunto. No ano passado foram atendidas 1.251 pessoas pela telemedicina na França, o que evitou a transferência em 49% de pacientes com casos de neurologia e neurocirurgia.Poupando os custos com transporte de 400 pacientes nós conseguimos uma economia de 10 milhões de francos (U$ 1,6 milhão), conta Catherine Viens-Bitker.
Até hoje, os médicos brasileiros que operam
através de telemedicina, especializam-se fora do país.
Essa realidade está sendo modificada com a implantação da rede de computadores internas entre as faculdades de Medicina (Intranet).
A maior barreira para a implantação da telemedicina no Brasil, ainda é o alto custo dos equipamento. Um sistema simples, em uma unidade, custa R$ 45 mil. Para implantar o curso de pós-graduação, os Hospital de Clínicas adquiriu equipamentos de teleconferência no valor de R$ 40 mil.Mauro FrassonMédica Catherine Viens-Bitker faz palestra aos profissionais curitibanosDaniela Neves





