HC faz múltiplos transplantes de fígado
Maigue Gueths
De Curitiba
Três transplantes de fígado, um após o outro, foram realizados pelo Serviço de Transplante Hepático do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), de segunda para terça-feira. Foi um trabalho inédito, pois a equipe jamais havia realizado tantos transplantes num único dia. Apesar da cirurgia recente, os três pacientes, duas mulheres e um homem, já sentiam-se, ontem, bem melhores. Sentados, conversaram animados com a imprensa, comemorando o fato de terem recebido um fígado depois de passarem até um ano na fila de espera pelo órgão.
O procedimento mobilizou uma equipe de 30 profissionais, coordenada pelo médico cirurgião Júlio Coelho. A retirada dos órgãos, preparação dos pacientes e os implantes levaram 18 horas. Os três doadores tiveram acidente vascular cerebral (derrame). O primeiro foi retirado ao meio-dia de segunda no Hospital de São José dos Pinhais e às 17 horas já fizemos o implante. Em seguida recebemos outro fígado do Hospital Evangélico, e começamos a segunda operação. Depois já realizamos a terceira com um fígado retirado no HC mesmo, contou o cirurgião. Segundo ele, apesar de estafante, toda equipe do hospital colaborou, pois não poderia perder a oportunidade de aproveitar os órgãos doados.
Desde que foi implantado, em 1991, o Serviço de Transplante Hepático do HC realizou 146 procedimentos, incluindo os três últimos. Em 1999, foram realizados 17 transplantes de fígado. Nos últimos três meses foram apenas quatro. Na fila de espera do HC existem cerca de 50 pacientes. Apesar de muitos terem de esperar até um ano pela doação, o cirurgião afirma que as doações vêm melhorando lenta e gradualmente, e que o número de doadores aumentou em 20% no último ano.
Dos 17 implantes feitos este ano, três foram intervivos, ou seja de parentes que doam parte do fígado à crianças. Das três, duas estão vivas, e sábado será feito mais um implante usando a mesmo método. A sobrevida no implante de fígado retirado de pessoas mortas é de 75%.Hospital realizou três transplantes consecutivos com equipe de 30 profissionais em trabalho que durou 18 horas
José SuassunaEsperançaO médico Júlo Coelho (em pé à esquerda) junto aos pacientes que se submeteram a transplantes de fígado consecutivos no HC





