O Hospital de Clínicas, de Curitiba, faz hoje seu milésimo transplante de medula óssea. O HC foi pioneiro na técnica cirúrgica, que começou a ser aplicada em 1979. Hoje, o hospital é responsável por um terço dos transplantes feitos no Brasil, que chegam a 350 por ano. Atualmente, existem cerca de 250 pessoas na fila de espera pela cirurgia. ‘‘No Brasil, a demanda anual é de mil transplantes, por isso é inevitável que se tenham filas’’, diz o médico Ricardo Pasquini, chefe do Serviço do Transplante de Medula.
O paciente que passará pelo transplante hoje é Leonardo Lauriano Ribeiro, de 3 anos, que tem Anemia de Fanconi. A doença é hereditária e provoca alterações na medula óssea: a produção dos glóbulos brancos e vermelhos e de plaquetas diminui. Os portadores da síndrome têm baixa estatura, peso abaixo do normal, microcefalia, anormalidade dos polegares, olhos pequenos, problemas renais, cardíacos e auditivos.
Os pais de Leonardo, o gráfico Edilson Ribeiro, e a dona-de-casa Elma descobriram que o filho tinha a doença há cinco meses e ficaram na fila de espera durante quatro meses. O doador será o irmão mais velho de Leonardo, Lucas, de 8 anos. Os quatro chegaram em Curitiba há uma semana e devem ficar mais 100 dias na cidade. ‘‘De repente, minha vida ficou do avesso, mas se ele não fizesse esse transplante teria apenas dois ou três anos de vida’’, diz Edilson.
Técnica - O transplante consiste em aspirar o sangue da medula óssea do doador e injetá-lo no receptor. Segundo Pasquini, o transplante é simples, mas o preparo do paciente para receber o enxerto pode provocar complicações. Antes do transplante, o receptor passa por uma sessão de quimioterapia para destruir as células de defesa da medula óssea. ‘‘A quimioterapia diminui as defesas do organismo e pode causar febre, infecções e inflamação nas mucosas’’, diz o médico Ademar da Cunha Júnior, que faz parte da equipe de transplante de medula do Hospital de Clínicas.
Depois do transplante, quando a medula do doador começa a funcionar no receptor, o risco de infecção diminui, mas pode ocorrer a doença do enxerto. Neste caso, há uma agressão mútua entre a medula do doador e os tecidos do organismo do receptor, podendo causar doenças na pele, diarréia e hepatite.

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