HC estuda convênio com plano de saúde
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Dimitri do Valle 
A direção do Hospital das Clínicas, em Curitiba, estuda a realização de convênios com empresas de planos de saúde privados. Esta seria uma das alternativas para tentar melhorar a situação financeira do hospital e corrigir distorções de caixa provocadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Sem falar em prazos, o diretor geral do HC, Mitsuru Miyaki, disse ontem durante entrevista coletiva que a instituição pode fechar as portas. Até quando poderemos aguentar esta situação é difícil dizer, alega.
Miyaki pediu que a Prefeitura de Curitiba e o Governo do Estado auxiliem no repasse de verbas para o HC, o maior hospital público paranaense. O principal argumento da diretoria é de que 50% dos pacientes atendidos no ambulatório são da capital. A outra metade vem de municípios da região metropolitana, interior do Paraná e demais estados do País. O Estado e o município de Curitiba são co-responsáveis no atendimento dos pacientes, sustenta o diretor do HC.
O setor ambulatorial do hospital, segundo Miyaki, está saturado. Estamos sendo obrigados a abrir consultas extras, pois não podemos deixar de atender a população, sob o risco de sermos processados, observa o diretor.
Por causa do baixo preço praticado em cada consulta do SUS, que custa R$ 2,50, Mitsuru Miyaki diz que o déficit mensal no orçamento do hospital é de R$ 500 mil. Desde agosto de 97, a instituição espera receber do SUS cerca de R$ 3 milhões. No dia 06 de abril, em Brasília, Myaki tem reunião no Ministério da Saúde para pedir o repasse de verbas emergenciais que evitem comprometer os 2 mil atendimentos diários feitos no HC.
O pedido principal será a garantia de recursos para a compra de medicamentos. Com a alta do dólar, os remédios importados que são cotados na moeda americana tiveram um reajuste automático entre 70% e 200%. No encontro do Ministério da Saúde também será tratada a questão da adoção de convênios com empresas de planos de saúde. Sem poder contrair dívidas desde outubro do ano passado, Mitsuru Miyaki acha que as parcerias podem ajudar a dar um fôlego para o caixa do hospital.
Se nós reservamos 20% dos leitos para os conveniados, vamos poder manter os 80% restantes de vagas que são pagos pelo SUS, afirma o diretor do hospital. Cada consulta paga pelos planos de saúde particulares custa entre R$ 30,00 e R$ 100,00. O SUS paga apenas R$ 2,50 por consulta. Questionado se o convênio não poderia prejudicar a população carente, que não tem acesso ao planos, Mitsuru Miyaki revelou que uma pesquisa feita pela direção do HC aponto que de 10% a 15% dos pacientes que são internados têm algum tipo de seguro de saúde privado.
A direção do hospital pretende reverter outra distorção que considera gravíssima: o pagamento com caixa próprio dos 1.500 funcionários do HC. No entender de Mitsuru Miyaki, o governo federal deveria arcar com a responsabilidade. A reivindicação é dos 45 hospitais universitários do País. Em outubro do ano passado o Ministério da Saúde havia anunciado repassar recursos emergenciais para as instituições. Por enquanto, tudo não passou de promessa.


