O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) é modelo no País por ser o único que está adequado a todas as normas exigidas pelo Ministério da Saúde para o funcionamento de um Banco de Ossos. A portaria 904 de 16 de agosto de 2000 regulamenta o cadastramento de órgãos e tecidos ósseos no Sistema Único de Saúde (SUS), exigindo a adequação dentro de padrões técnicos e de segurança para garantir confiabilidade de quase 100% nos transplantes com uso de ossos de cadáveres.
A técnica é aplicada pelo Hospital de Clínicas (HC) desde 1986, quando foi realizado o primeiro transplante ósseo num paciente de Rondônia que estava com câncer na bacia. ‘‘Foi trocado todo o osso da bacia do paciente. A cirurgia foi um sucesso’’, declarou o ortopedista Paulo Alencar, coordenador do Banco de Tecidos Músculo-Esqueléticos do HC.
Desde 1995, as cirurgias estão sendo feitas nos moldes atuais. ‘‘Começamos a fazer de uma maneira precária até que o nosso laboratório fosse montado’’, contou ele, ao lembrar que o financiamento das obras e infra-estrutura do local foi promovido pela Associação dos Amigos do HC. A inauguração oficial do Banco de Ossos foi em novembro de 1998. ‘‘Fizemos tudo dentro dos padrões internacionais’’, salientou.
Uma das maiores dificuldades enfrentadas é a captação de tecidos ósseos por causa da falta de doadores. Atualmente, o HC tem apenas um doador por mês. A capacidade é para até dez doadores por mês. A fila de espera por uma cirurgia óssea chega a 200 pacientes. ‘‘A gente tem muito mais solicitações do que tecidos. Ainda existe uma espécie de preconceito na hora de doar ossos por puro desconhecimento’’, alertou. Qualquer pessoa morta é uma doadora em potencial de ossos. Para a retirada dos ossos, é feito um corte na perna da pessoa. Os ossos retirados são substituídos por tubos de plástico ou de gesso, o que deixa a consistência do corpo normal para o velório. ‘‘Não há qualquer prejuízo para o corpo do cadáver. Ele pode ser velado normalmente’’, explicou.
Os ossos retirados são tratados e submetidos a exames minunciosos para evitar transmissão de doenças. Os ossos retirados ficam por um período mínimo de 20 dias em quarentena, congelados numa temperatura de 85 graus negativos. Depois deste período, eles são submetidos a tratamentos especiais e embalados para transplante. Os ossos têm sido usados em transplantes no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. ‘‘Temos solicitações de diversos estados, mas temos que atender antes a demanda interna’’, destacou.

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