HC completa 42 anos com déficit
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terça-feira, 05 de agosto de 2003
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba O maior hospital público do Paraná, o Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) completou ontem 42 anos de existência sem conseguir resolver alguns de seus problemas mais graves. Entre as principais dificuldades estão a insuficiência de vagas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e a escassez de recursos, que impede que o HC que se tornou referência nacional em vários tipos de procedimentos possa fazer obras de ampliação ou adquirir novas tecnologias.
''A nossa UTI está funcionando como sempre funcionou, com sua capacidade máxima. Esse problema de gente procurando vagas no Paraná não é novo, existe há mais de 20 anos'', disse ontem o chefe da UTI do HC, Álvaro Réa Neto.
A expectativa é que a falta de vagas na UTI do HC seja resolvida com a inauguração, em meados de setembro, da nova unidade de emergência, em fase final de construção. Os 49,7 mil metros quadrados do HC serão acrescidos com mais 5,7 mil metros quadrados. A nova instalação terá também mais uma UTI com capacidade para 15 pessoas.
Ironicamente, a abertura das vagas da UTI pode acarretar em um outro problema, causado pela falta de pessoal. Concurso aberto recentemente pelo HC contempla apenas a contratação de pessoal da área médica e de enfermagem, mas há carências também no setor administrativo. ''O grande gargalo do setor cirúrgico é a falta de pessoal'', declarou Réa Neto, explicando que atualmente há salas de cirurgia fechadas por falta de pessoal ou de equipamentos.
Para a gerente de Informações do Hospital de Clínicas, Gisele Lopes, um dos maiores problemas do HC é a falta de recursos, já que os procedimentos são todos feitos pelo SUS, que paga baixos valores. O HC recebe atualmente cerca de R$ 3,1 milhões por mês. Desse total, 51% são destinados ao pagamento dos funcionários contratados pela Fundação do Paraná (Funpar) e o restante é usado na compra de insumos. Segundo Gisele, há um déficit constante de R$ 600 mil mensalmente.
Para resolver esta situação, o HC vem tentando, há anos, que o governo federal assuma a folha de pagamento dos 1.368 funcionários contratados pela Funpar. Outros 1.923 empregados que trabalham no HC são contratados pelo Ministério da Educação e Cultura.
A falta de dinheiro no HC já é crônica. Constantemente o hospital faz campanhas ou mesmo ameaça parar procedimentos em função de falta de material. Essa situação é sentida em todo Paraná. Afinal, o HC atende cerca de 2 mil pessoas diariamente, sendo 51,3% de Curitiba, 26,4% da região metropolitana e 16,98% do restante do interior do Estado. A maioria dos procedimentos executados é de alta complexidade. É o caso dos transplantes de medula óssea, de rins e de fígado, em que o HC se tornou referência nacional.


