HC ameaça paralisar procedimentos
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terça-feira, 18 de maio de 1999
Maigue Gueths 
Especial para a Folha
O diretor geral do Hospital de Clínicas (HC), Mitsuro Miyaki, confirmou, ontem, a notícia de que o hospital pode encerrar, a partir da próxima semana, os serviços de transplante de medula óssea, tratamento de quimioterapia para pacientes com câncer e internamento de doentes com Aids, caso não consiga receber recursos emergenciais do Ministério da Saúde na ordem de R$ 1,8 milhão. Estes recursos serviriam para a aquisição de medicamentos e insumos hospitalares que estão em falta, para repor estoque para 30 dias e para o pagamento dos contratos de manutenção dos equipamentos.
As dificuldades do HC foram intensificadas no início do ano em função do ajuste fiscal do governo e da desvalorização do real, que elevou o preço de medicamentos e insumos em até 100%, no caso de importados. A dívida total do hospital chega a R$ 3,8 milhões, referentes aos seguintes procedimentos realizados e não pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS): 20 transplantes cardíacos (R$ 440 mil), medicamentos para pacientes transplantados e com anemia plástica (R$ 1,6 mi) e internamentos e tratamentos ambulatoriais (R$ 1,7 mi).
Do ponto de vista ético, profissional, se não temos condições, não podemos continuar atendendo, diz o diretor. O hospital já encaminhou várias reivindicações de recursos aos Ministérios da Educação e da Saúde, sem resposta até o momento. O fim dos serviços anunciados, entretanto, trarão consequências até a nível nacional. Os transplantes de medula óssea, por exemplo, seriam suspensos imediatamente. O HC realiza entre dez a 12 cirurgias por mês, sendo 60% de pacientes provenientes de outros estados. O hospital continuaria a realizar o tratamento quimioterápico apenas para os pacientes com câncer que já estão em tratamento e suspenderia o internamento de pacientes com Aids, hoje atendidos em poucos hospitais em função do alto custo.
O HC recebe hoje R$ 2,7 milhões do SUS. Deste valor, gasta R$ 1,6 mi para pagar seus 1.500 funcionários e o restante em compra de medicamentos e insumos. O hospital necessitaria de mais R$ 1,7 milhão mensalmente para pagar todos os seus procedimentos. Para cobrir esta defasagem o HC, em breve, atenderá também através de convênios de saúde. Segundo Miyaki, o hospital do coração Incor, de São Paulo, disponibiliza 25% de seus leitos o que responde, hoje, a mais de 50% de seus recursos.
O diretor do Hospital de Clínicas também cobra a responsabilidade da Secretaria Municipal da Saúde, que é a gestora dos recursos do SUS em Curitiba e, como tal, define quanto irá repassar a cada instituição. Como o HC é um hospital universitário e é o maior hospital do Estado, solicitamos que ele fosse ressarcido por tudo o que o hospital realizasse em seu espaço, diz. Como há áreas deficitárias, que foram bancadas em determinado momento, solicitamos uma subvenção social de modo a manter estes programas deficitários ou que ainda não tenhamos condições de receber do SUS, diz.


