Especial para a Folha
O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná teve que suspender, ontem, em Curitiba, um transplante de rins entre familiares, em função da falta de medicamentos e especialmente de antibióticos de última geração que seriam usados nos pacientes. A má situação financeira do hospital e a consequente falta de insumos também levaram o HC a emprestar medicamentos de outros hospitais.
Segundo o vice-reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Rômolo Sandrini, o hospital está tentando manter todos os seus serviços, mas tem trabalhado numa situação limítrofe em relação aos medicamentos e insumos. Atendimentos ambulatoriais e consultas são realizados normalmente, mas procedimentos de alto custo em áreas que não são de emergência, como cirurgias eletivas, começam a ser adiadas. Foi o caso do transplante marcado para ontem. ‘‘Avaliamos que seria prudente esperar alguns dias até termos mais recursos, sem riscos de ficar sem os insumos necessários’’, disse Sandrini.
O HC trabalha normalmente com seis mil itens (remédios, luvas, fio de sutura, soro entre outros), mas hoje está com um desabastecimento de 27,5% em seu estoque. O maior problema, segundo Sandrini, são os medicamentos de alto custo, como quimioterápicos e antibióticos de última geração.
Desde a semana passada o HC vem anunciando que pode encerrar os serviços de transplante de medula óssea, tratamento de quimioterapia para pacientes com câncer e internamento de doentes com Aids, caso não consiga receber recursos emergenciais do Ministério da Saúde na ordem de R$ 1,8 milhão. Estes recursos serviriam para a aquisição de medicamentos e insumos hospitalares que estão em falta, para repor estoque para 30 dias e para o pagamento dos contratos de manutenção dos equipamentos.
A Reitoria da UFPR e parlamentares da Assembléia Legislativa estão trabalhando junto aos Ministérios da Saúde e da Educação, e das secretarias estadual e de Curitiba da Saúde, na busca dos recursos. ‘‘Nossa expectativa é que dentro de uma semana tenhamos uma solução’’, diz o vice-reitor. Para ele, o importante, agora, é obter os recursos emergenciais que permitam o abastecimento básico do hospital. O pagamento da dívida total do HC, de R$ 3,8 milhões, seria efetuado posteriormente com recursos provenientes de ações já planejadas pelo hospital para sua auto-gestão, como o atendimento através de convênios de saúde.

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