‘Haveria caça e morte de animais’
Depois de trabalhar dez anos em áreas de conservação do Ibama, como Abrolhos e Mangue Seco, na Bahia, e Lagoa do Peixe, no Rio Grande do Sul, o atual diretor do Parque Nacional do Iguaçu, Julio Gonchorosky, 36, enfrenta no Oeste do Paraná um dos maiores confrontos de sua vida profissional.
Na região, ele é uma das poucas vozes contrárias à reabertura da Estrada do Colono - tese defendida pela esmagadora maioria dos políticos, agricultores e lideranças comunitárias do Oeste e do Sudoeste paranaenses.
Folha de Londrina - Por que não reabrir a Estrada do Colono?
Julio Gonchorosky - O Parque Nacional do Iguaçu é uma das últimas áreas de floresta subtropical úmida do Brasil. A estrada corta uma área intangível, que deve permanecer intocada, onde são permitidas apenas pesquisa e manutenção. É uma área importantíssima, porque é local de trânsito e reprodução de animais. É uma das poucas áreas do Parque Nacional do Iguaçu onde a natureza ainda está preservada como deveria ser.
Folha - Qual seria o impacto da abertura?
Gonchorosky - Tenho certeza que haveria caça e morte de animais por atropelamento.
Folha - O senhor considera o projeto da Aipopec viável?
Gonchorosky - A parte da integração das comunidades com o parque é extremamente interessante. Mas deveria propor um escalonamento até a abertura. Ela não poderia ser o primeiro ponto.
Folha - O Parque do Iguaçu já tem uma estrada em funcionamento (que leva às Cataratas, em Foz do Iguaçu). Essa estrada não causa impacto ambiental?
Gonchorosky - Lá (a rodovia das Cataratas) é uma área diferente, que fica numa extremidade do parque e não é corredor de animais. É uma área em que o parque precisou ser sacrificado para que a visita às Cataratas fosse possível e que arrecada recursos para manter muitas unidades de conservação no Brasil.

mockup