Harpia se reproduz em cativeiro
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Equipe da Folha 
Curitiba - Espécie em extinção no Brasil, a harpia (Harpia harpyja) ganhou em cinco dias dois novos indivíduos. As aves, que ainda não tiveram o sexo identificado, são as primeiras da espécie a nascer em cativeiro no sul do País e serão criadas no refúgio Biológico Bela Vista, administrado pela Itaipu Binacional, onde vivem cerca de 42 espécies ameaçadas.
O primeiro filhote nasceu há uma semana e hoje pesa aproximadamente 140 gramas. Com pouco mais de 60 gramas, o segundo animal nasceu nesta terça-feira e foi apresentado ontem à imprensa junto com seu irmão (ou irmã). Durante os primeiros 30 dias de vida -considerados os mais importantes-, os dois ficarão em uma estufa, onde recebem cuidados especiais dos veterinários para a garantia de sobrevivência. No espaço são controladas temperatura, umidade do ar e alimentação.
Inicialmente, a temperatura é de 36 graus e baixa meio grau por dia até chegar à temperatura ambiente. A umidade relativa do ar permanece entre 60% e 70%. Os filhotes são alimentados cinco vezes ao dia, com intervalo de quatro horas entre cada refeição. Passado o décimo dia, a quatidade de alimentos vai aumentar e o intervalo entra cada refeição, diminuir. Como as aves estão na estufa, sem a presença dos pais, o espaço é organizado para que desde cedo os filhotes se identifiquem com seus semelhantes. Para isso, o local vai contar com um boneco da foto da mãe e sons dos pais, que serão veiculados próximos às aves.
Os pais dos filhotes eram os únicos representantes da espécie no refúgio. O macho chegou ao local em 2000, quando foi resgatado na BR-277, na região de Foz do Iguçu, com um ano de idade, e a fêmea foi cedida pelo Zoológico de Brasília (DF), em 2002, com três anos de vida. O período de adaptação entre as duas aves durou cerca de um ano, enquanto ficaram em ambientes separados. Nos primeiros seis meses ficaram sem contato visual e posteriormente separados apenas por uma grade.
''Quando colocamos o macho e a fêmea juntos, eles não brigaram e formaram o casal. Sabemos que poderíamos conseguir a reprodução quando começaram a montar o ninho juntos'', lembra o veterinário do refúgio, Wanderlei de Moares, em entrevista ao site da Itaipu. A harmonia entre os dois foi fundamental para a reprodução, pois estas aves não criam afinidade com seres humanos e ficam sem contato com as pessoas. A alimentação é realizada por um cano de pvc.
Antes do nascimento dos dois filhotes, outras três aves nasceram no refúgio, mas morreram nos primeiros dias de vida porque não receberam alimentação da mãe. Os veterinários não sabem explicar o motivo do comportamento da mãe e por isso decidiram manter os recém-nascidos na estufa.
Brasão de armas
Ave natural de áreas florestais como a Mata Atlântica e Floresta Amazônica, a harpia é o símbolo do Brasão de Armas do Paraná. Ameaçada extinção, a espécie precisa de uma população mínima de 100 indivíduos para sobreviver adequadamente, conforme análise do veterinário Moraes.
As aves apresentam asas largas, pernas curtas e grossas, garras enormes. A cabeça é cinza, o papo e a nuca são negros e a região do peito, barriga e parte interna da asa são brancos. Elas chegam a medir entre 50 e 90 centímetros, com envergadura de até dois metros. O peso varia entre quase cinco quilos entre os machos e até nove quilo entre as fêmeas.


