Marcelo AlmeidaOs integrantes da Harley Blues Band são especialistas em blues e em Harley, juntaram o útil ao agradável para participar dos encontros de harleiros estrada afora. O empresário Fernando Buffara arriscou e investiu R$ 500 mil numa concessionária. O destino foi bom com ele, em julho vendeu 15 unidades.O universo das motocicletas Harley Davidson sempre despertou muito interesse e curiosidade. Tanto que a frase irônica ‘‘se eu tivesse que explicar, você não iria entender’’ já faz parte do discurso dos harleiros mais atuantes. Os motoqueiros elogiam o ronco do motor e a durabilidade das Harley e mesmo assim não conseguem explicar o fascínio. Na verdade, só quem faz parte da tribo consegue entender esta paixão. A convivência e cumplicidade dos harleiros faz surgir novos interesses em comum. É o caso dos músicos que se juntaram na Harley Blues Band em Curitiba.
Os amantes das HDs se reúnem periodicamente em encontros nacionais e internacionais de motoqueiros, que acontecem em diversas cidades brasileiras. Nesses locais costumam se apresentar bandas de rock com o repertório desenvolvido exclusivamente para esses encontros.
Em Curitiba, o industrial Daniel Dalegravi Silva decidiu montar, com o irmão Dênis e mais dois amigos, uma banda para se apresentar nesses eventos. Os Harley Blues Band, como o nome já diz, são especialistas em blues, mas não dispensam um bom rock para animar as festas em que se apresentam. Segundo Daniel, como todos são motoqueiros, a montagem do grupo acabou possibilitando que os quatro amigos participassem de eventos e ainda recebessem uma ajuda de custo. ‘‘Unimos o útil ao agradável, pois os cachês em torno de R$ 1 mil acaba cobrindo todas as despesas’’ comemora Daniel. O próximo evento que o grupo vai participar é o encontro da cidade de Penedo, no Estado do Rio do Janeiro, entre os dias 27 e 30 de agosto, o Penedo Only Harley.
Mauro FrassonUm dos mais antigos motoqueiros de Curitiba, que pediu para não se identificar, conta que esse fascínio faz com que nem sempre seja necessário ter dinheiro para andar de HD. ‘‘Presisa apenas gostar de estrada. Eu rodo anualmente cerca de 35 mil quilômetros por todo o Brasil, porque gosto’’. Ele conta que os amigos muitas vezes se reúnem e arrumam peças e ajudam na montagem, para que um companheiro esforçado, mas menos favorecido, possua a sua máquina original. Segundo o motoqueiro, esses esforçados são mais valorizados como estradeiros do que aquele que nunca sujou as mãos de graxa. Ele explica que a identidade do harleiro está nos códigos afixados nos coletes de cada integrante dos grupos, que significam desde o nome, a cidade de origem e até o nível de envolvimento do piloto com o pessoal.
Entre os principais grupos do Brasil estão o Balaios (Rio de Janeiro) e os Carcarás (Distrito Federal). Em Curitiba existem vários, entre eles os Cavaleiros de Aço e o Aranha Marrom. (G.V.)

mockup