Hantavirose mata trabalhadores rurais
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2001
Cláudia Carneiro<br>Especial para a Folha - De Guarapuava 
Em dez dias, dois jovens morreram contaminados por hantavírus em Guarapuava. Outros dois homens foram internados com suspeita da doença e passam bem. Os quatro trabalhavam no corte de pinus, dois deles no distrito de Palmeirinha. A Secretaria Municipal de Saúde forneceu apenas as iniciais dos pacientes mortos. S.B., de 19 anos, e M.S., de 20 anos. Eles morreram no dia 6 e no último domingo, respectivamente, no Hospital São Vicente. Ambos apresentavam a doença em estágio adiantado.
Dos doentes atendidos, dois deles são da localidade de Paiol Velho, no distrito de Palmeirinha. F.S., de 18 anos, conseguiu se salvar porque procurou socorro médico a tempo. Ele trabalhava na reforma dos viadutos São João e Tigrinho, na divisa com Prudentópolis, quando começou a passar mal. O rapaz está internado no Hospital São João. Ontem, o trabalhador rural H.F., de 47 anos, que morava em Pinhão, foi internado no Hospital São Vicente com os sintomas da doença.
De acordo com a responsável pela Divisão Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Guarapuava, Elizabete Nascimento Lira, a incidência de hantavirose aumenta nesta época do ano. ''Apesar de não termos ainda os laudos comprobatórios é praticamente certo que se trata do hantavírus pelas características apresentadas pelos pacientes'', citou. O primeiro jovem a morrer cortava pinus em uma fazenda nas proximidades da localidade de Cerro Verde, entre Guarapuava e Campina do Simão. Ano passado, foram duas as mortes só em dezembro.
Segundo Elizabete, os locais estão sendo vistoriados e os proprietários notificados. Em Paiol Velho, os técnicos encontraram barracões rasteiros e construídos muito próximos de paióis, o que facilita a entrada do rato silvestre, o transmissor da doença. ''As habitações eram precárias, havia completa falta de higiene e restos de comida dentro dos barracões'', comentou.
Conforme a funcionária da Divisão Epidemiológica, os proprietários do reflorestamento foram notificados e orientados a repassar à empreiteira que administra o corte de pinus as normas para construção e manutenção dos barracões, além dos cuidados com a higiene. Tradição no município, as áreas de reflorestamentos recebem atenção especial dos órgãos de saúde. Campanha de conscientização, visita às propriedades e a empresas, palestras e distribuição de panfletos estão sendo intensificadas.
Ontem, uma equipe da 5 Regional de Saúde esteve em Campina do Simão, falando dos riscos da hantavirose. Em 2001, Guarapuava registrou nove casos de hantavirose, quatro deles acabaram em morte.
O hantavírus é transmitido pelas fezes e urina do rato silvestre. A contaminação acontece pelo ar sempre que a poeira infectada com o vírus for inalada. Os sintomas são parecidos com o de uma gripe forte: dor no corpo, dor muscular, nas articulações, fortes dores no peito.


