Cascavel - O aumento no número de pacientes portadores de hanseníase, em Cascavel, levou o Serviço de Apoio Especializado (SAE), ligado à Secretaria Municipal de Saúde, a aumentar o trabalho de identificação e combate da doença. Atualmente, 99 pacientes estão sendo acompanhados pela equipe médica do SAE. A maior preocupação é com relação ao índice preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de um caso da doença para cada 10 mil habitantes. Em Cascavel, esse índice é de um caso para cada 2,5 mil habitantes, quatro vezes maior que o aceitável.
A coordenadora municipal do programa de combate à hanseníase, Liege Bitencourt, explica que a doença é transmissível, sendo causada por uma bactéria que afeta a pele e os nervos. Ela ressalta que a doença, anteriormente, conhecida como lepra, tem cura e que o contágio acontece, apenas, quando a hanseníase está em estado avançado. ''Quando o diagnóstico é feito no início, a doença não deixa sequelas'', frisa.
Liege relata que apenas este ano já foram identificados 58 novos casos da doença. Nos dois anos anteriores, foram registrados 56 casos de hanseníase, cada ano. Ela observa que o aumento registrado neste ano se deve ao trabalho desenvolvido pelo SAE com o objetivo de identificar novos casos. Segundo ela, muitas pessoas podem estar com a doença, mas não sabem e às vezes chegam a confundir com micose, doença que, assim como a hanseníase, aparece em forma de mancha na pele.
Para aumentar o nível de combate à doença, desde janeiro o atendimento a pacientes vem sendo descentralizado para as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Auxiliares de enfermagem e agentes comunitários de saúde foram treinados para atuar no combate a doença. Os agentes visitam o domicílio dos pacientes para acompanhar o tratamento e evitar que ele seja abandonado antes do término. Dependendo do grau da doença, o paciente fica em tratamento por seis ou até 12 meses.
Liege comenta que o objetivo da OMS é detectar e curar todos os casos de hanseníase até o ano de 2005. Para isso, em 1999, foi criado o programa Aliança Global para a Eliminação da Hanseníase, destinado a atende os países onde a doença é endêmica. De acordo com o programa, os governos dos países devem oferecer medicamento gratuito à população, e, através de políticas nacionais e ações regionais, cuidar do atendimento, distribuição e treinamento dos profissionais da saúde na identificação da doença.

mockup