Profissionais da área de saúde e representantes de entidades comunitárias participaram ontem, no auditório da Prefeitura de Cascavel, do 1º Encontro de Hanseníase, organizado por órgãos municipais e estaduais de saúde. O objetivo é mobilizar a sociedade e fazer chegar à população informações sobre o serviço público especializado à disposição para tratamento da doença e enfrentar a discriminação contra seus portadores.
Segundo a última estatística, existem 5,83 mil casos de hanseníase (lepra) no Paraná, número expressivo na comparação com os demais estados do Sul do País (6,77 mil casos). Autoridades da saúde pública estão preocupados porque, apesar de existir tratamento gratuito, o número de doentes ainda é muito grande. ‘‘Há necessidade de eliminar o estigma contra os leprosos, coisa dos tempos bíblicos’’, disse ontem o dermatologista Júlio César Empinotti, do Serviço de Dermatologia Sanitária de Cascavel, da Secretaria de Estado da Saúde.
Júlio César Empinotti apresentou ontem números sobre a doença, indicando que no mundo são 888 mil hansenianos; nos países das América do Sul e Central 127 mil, sendo 87,7 mil (ou 85%) no Brasil. O Paraná tem 86% dos casos registrados nos estados do Sul, o que, segundo Empinotti, ‘‘é injustificável’’ e só poderia ser ‘‘explicado’’ pela inexistência de uma grande mobilização para enfrentar a doença. Segundo o especialista, além dos próprios doentes não procurarem atendimento aos primeiros sintomas, a própria sociedade ‘‘demonstra acomodação’’.
A hanseníase é infecciosa. A microbactéria que provoca a doença foi descoberta em 1873 pelo cientista norueguês Gerhard Hansen, mas casos da doença são relatados desde os tempos bíblicos (Por isso, ela também é chamada de ‘‘Mal de Lázaro’’, o leproso curado por Jesus Cristo).
Empinotti explica que a lepra raramente é fatal. É inteiramente curável, mas se não houver tratamento imediato ao aparecimento, pode levar à deformação de membros e outras partes do corpo, atingir nervos e causar a cegueira. Manchas e amortecimento da pele são os primeiros sintomas do mal.
A lepra pode evoluir ao longo de até seis anos, mas pessoas providas de melhor sistema de auto-defesa podem resistir ao contágio. Empinotti relata que a falta de saneamento, promiscuidade, subnutrição e outros fatores sociais estimulam a disseminação da doença.
‘‘Ela foi erradicada em países desenvolvidos’’, acrescenta o especialista, defendendo esforços para que isso também ocorra nos subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, como o Brasil. ‘‘Há cura, há medicamentos e serviço especializado gratuito, por isso é preciso uma grande mobilização da sociedade’’, completa Júlio César Empinotti.
Em Cascavel, em 1996 haviam sido atendidos 122 hansenianos, em 97 foram 130, e apenas nos primeiros meses deste ano são 94. A enfermeira Lúcia Richett, do Serviço de Dermatologia Sanitária, diz que a maioria dos leprosos são adultos, com equivalência entre homens e mulheres, e a grande maioria muito pobres.
‘‘Temos muitos casos de pessoas que sequer conseguem um passe de lotação para vir pegar o remédio gratuito’’, conta Lúcia Richett, mostrando grande número de cartelas de comprimidos disponível e explicando que o tratamento geralmente demora de seis meses a dois anos, ‘‘de forma ininterrupta’’.Edson MazzettoDermatologista Júlio César Empinotti, do Serviço de Dermatologia Sanitária: números assustadoresPaulo Pegoraro

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