Hanseníase ainda é alvo de preconceito
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sábado, 03 de setembro de 2005
Fernanda Mazzini<BR>Reportagem Local 
O primeiro pecado
O ex-seminarista e ex-líder sindical Gilberto Carvalho que, ao mudar de Londrina para Curitiba na década de 70 escolheu viver entre os favelados da Capital, teve nesta semana seu momento de Marcos Valério, de José Janene ou de Duda Mendonça, como queiram. A mentira deslavada ficou clara quando Carvalho negou, sem dó nem piedade, os fatos descritos pelo irmão assassinado de Celso Daniel, prefeito de Santo André (SP), o médico João Francisco Daniel em depoimento na CPI dos Bingos.
Para muitos petistas paranaenses, jornalistas e pessoas identificadas com o trabalho social, de base, feito aqui pelo atual secretário particular do presidente Lula, a mentira óbvia levou o último crédito do PT. Gilberto Carvalho sempre atuou nos bastidores do Partido e disputou apenas uma eleição no tempo em que os petistas, mesmo os de grande liderança dentro do Partido, colocavam seus nomes para cumprir tabela nas campanhas. Teve poucos votos, mas transformou-se num quadro cinco estrelas, ao lado de Lula, Zé Dirceu e José Genoíno. Compunha com o ministro Paulo Bernardo e Jorge Samek, o trio de ouro do PT paranaense.
Não é de agora que o nome de Gilberto Carvalho está presente na questão de Santo André. Mas foi a primeira vez que o próprio irmão do prefeito revelou para o Brasil que o secretário de Lula era, ele também, um transportador de dinheiro ilegal em malas, tal qual o cearense flagrado ridiculamente com dólares na cueca.
Como membro de uma família totalmente devastada pelo assassinato do filho mais dileto, o médico João Francisco é testemunha incontestável. Vem mantendo as mesmas denúncias de que o crime foi político, e não comum, há três anos, corroboradas pelo Ministério Público. Ele é a parte vitimada do primeiro pecado que o PT cometeu: por medo de perder a eleição presidencial, o PT virou as costas para o corpo do prefeito morto e abandonado numa estrada de terra na periferia do ABC paulista. Os líderes petistas já sabiam, então, que qualquer investigação ilesa sobre o assassinato traria à tona a rede de corrupção nas prefeituras comandadas por correligionários. A partir daí, conviver com os Marcos Valérios da vida e acordar com Roberto Jefferson, era fichinha. Por isso, para o ex-seminarista Gilberto Carvalho, que fez parte do pecado original, a mentira desta semana só foi mais uma. Não deve ter doído tanto.


