Hallel atrai cerca de 60 mil ao Ney Braga
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domingo, 22 de maio de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O som é hardcore. Jovens de camiseta preta e faixas na cabeça pulam freneticamente, chacoalham cabeças, gritam, dançam aos empurrões. De repente, ao final de mais uma música, a banda puxa o Salmo 23: O Senhor é meu pastor e nada me faltará... Assim é o Hallel, o popular encontro católico brasileiro que, em Londrina, teve ontem sua segunda edição. Uma festa quase igual a qualquer outra, com muita música, dança, agito, paquera, mas toda dedicada à fé religiosa. E sem drogas ou bebida alcóolica.
Até o final da tarde de ontem, os organizadores calculavam que o Hallel já havia atraído cerca de 60 mil pessoas ao Parque de Exposições Ney Braga (Zona Oeste). O evento começou cedo, com uma missa celebrada pelo arcebispo de Londrina, Dom Albano Cavallin, às 9 horas. Ao longo do dia, uma maratona de shows, palestras, pregações, workshops e outras missas dividiu as atenções do público, em sua maioria composto de jovens e vindo de várias cidades do Paraná, além de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Muita gente só vem zoar, ficar com as meninas, mas nós viemos para nos divertir e buscar a Deus, definiu Walisson, 17 anos, que veio de Arapongas (37 km a oeste de Londrina) com os amigos e companheiros de igreja Ailton, 17, Anderson, 16, e Alex, 17, para curtir o show de hardcore e outras atrações do Hallel. Se dá para se divertir como nas festas comuns? É até melhor. Estamos com os amigos verdadeiros e o álcool não faz nenhuma falta, declarou Alex.
Músicos de diversos pontos do País e diferentes gêneros também estavam ali para provar que o entretenimento pacífico e religioso pode ter o mesmo encanto do secular. Nosso som não perde para nenhuma pista do planeta. Estamos mostrando que o jovem não precisa tomar bala e encher a cara para se divertir, disse o DJ Guto, 24, residente da festa Angels Night, no Rio de Janeiro. Guto, que se prepara para tocar na Jornada Mundial da Alemanha - encontro que terá a presença do Papa Bento XVI - é DJ há mais de 10 anos, mas só aos 17 converteu-se e passou a se dedicar à música eletrônica ligada ao movimento católico.
O Hallel é um momento que Deus usa para restaurar muitos jovens. Conheço vários usuários de drogas que mudaram de vida após eventos como este, assinalou o cantor Paulo Eduardo, 27, de São Paulo, que se define como mais do que um músico, um missionário. Já participei de várias edições do Hallel em todo o País, mas em Londrina é meu primeiro. Achei maravilhoso, um ambiente animado e de muita paz, descreveu, após ter apresentado seu show.
Para o padre César Braga, assessor espiritual do Hallel de Londrina e pároco da Igreja Sagrados Corações, o evento é um espaço de redescoberta. Estamos abertos a vários tipos de manifestação cultural, desde que leve as pessoas a descobrir um Jesus jovem, que caminha com eles. É mais do que um encontro católico, é uma expressão de vida, de amor, de alegria, concluiu.


