De Curitiba
Especialistas em invadir sistemas computadorizados, conhecidos por ‘‘hackers’’ (piratas), com residência em Curitiba, estão sendo responsabilizados por terem induzido um garoto de 15 anos a emprestar a conta bancária da mãe para realizar um depósito de R$ 20 mil através da Internet. O dinheiro foi pego de uma terceira conta não identificada e enviado para a agência do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), no município de Camboriú, onde o adolescente reside.
O caso não chegou até o conhecimento da polícia, pois o rapaz assumiu a culpa sozinho e o problema foi resolvido no banco. Aproximadamente R$ 15 mil teriam chegado até piratas de computador, enquanto a quantia restante ficou com o garoto. A Folha apurou em Santa Catarina que o menor conheceu os hackers em sites de conversações da Internet quando recebeu as orientações para usar a conta bancária de sua mãe. O fato ocorreu há cerca de um mês e meio.
Já a Polícia Civil de Blumenau (SC) apresentou na quarta-feira o comerciante Rodines Miranda Peres, 26 anos. Ele é acusado de chefiar uma quadrilha que transferia valores bancários através da Internet para contas bancárias de ‘‘laranjas’’ recrutados em várias cidades do País, inclusive Curitiba. O delegado Waldir César Padilha, da Central de Operações da Polícia Civil em Blumenau, informou que o número de pessoas em Curitiba que ajudaram Peres no golpe pode chegar a seis.
‘‘Estamos levantando o nome destas pessoas para prestarem depoimento no inquérito policial’’, informou Padilha. Em todo o País, o delegado calcula que mais de cem pessoas tiveram suas contas lesadas num golpe que pode ter chegado a R$ 2 milhões. Peres está preso e foi autuado por formação de quadrilha e furto qualificado. Outros cinco homens, todos de Blumenau, serão indiciados por co-autoria. Todos, inclusive Peres, negam que tenham feito as transferências.
O padrão de agir do grupo era utilizar contas de pessoas físicas. A maioria delas eram consideradas pelo delegado pessoas humildes que eram ludibriadas pelos golpistas. Para ter acesso as contas, a quadrilha tinha até listas de correntistas e apanhava extratos bancários que eram jogados no lixo das agências.
Natural de Rodeio, mas com residência em Blumenau, Rodines Miranda Peres é apontado pela polícia como um ‘‘especialista’’ em informática. Em depoimento, ele alega negociar madeira. O acusado já foi pego em Blumenau no início do ano com documentos falsos - carteiras de identidade e CPFs. O delegado Waldyr Padilha informa que as investigações continuam para ver se a quadrilha tem contatos em outros estados, inclusive no Paraná, como já há algumas evidências.

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