Hábitos regionais vão mudar merenda
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de fevereiro de 1997
Da Sucursal 
A merenda nas escolas públicas do Paraná vai ter novidades este ano. Além da inclusão de novos itens, os cardápios serão readequados de acordo com os hábitos alimentares de cada região. As mudanças serão feitas com base nos resultados de uma pesquisa do Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná (Fundepar), que já constatou rejeição a alguns produtos em determinadas regiões, enquanto outros são disputados e chegam a faltar.
A pesquisa abrange cerca de quatro mil escolas de 217 municípios que recebem a merenda via Fundepar. Os demais firmaram convênios diretamente com o governo federal e elaboram seus próprios cardápios.
Até o ano passado, a Fundepar distribuía cardápios padronizados para todas as escolas, variando periodicamente as combinações entre os 27 itens disponíveis. Mas os responsáveis pelo Programa de Alimentação Escolar começaram a notar que havia sobra de alguns produtos, enquanto outros acabavam rapidamente. Foi daí que nasceu a idéia da pesquisa.
A primeira etapa, realizada no final do ano passado numa amostra de 350 escolas, apontou grandes diferenças nos hábitos alimentares. Um exemplo: enquanto em Curitiba a aceitabilidade do sagu chega a 88%, na região de Umuarama e Cianorte não passa de 17%.
A aveia tem aceitabilidade de 91% na região de Ponta Grossa e de apenas 15% no Norte Velho. A farinha de mandioca também é amada e odiada, como diz a nutricionista Márcia Cristina Stolarski: tem 82% de aceitação na região de Paranavaí e Umuarama, e apenas 12% no litoral.
A Fundepar também constatou que a quantidade per capita de merenda não pode ser a mesma para todas as regiões. O consumo na zona rural é maior que na zona urbana, afirma Márcia. Atualmente, as escolas recebem uma média de 80 gramas de alimento/dia por aluno. Com as mudanças, algumas regiões poderão receber até mais que cem gramas per capita.
As alterações serão feitas depois da segunda fase da pesquisa, que começa em março e vai abranger todas as escolas. Cada escola apontará os itens da preferência de seus alunos e a Fundepar fará uma espécie de média para definir os cardápios por região.
De acordo com Márcia Stolarski, essa redefinição permitirá racionalizar a distribuição da merenda e evitará desperdício, resultando em economia de recursos públicos. As mudanças deverão ser consideradas na próxima compra de merenda, provavelmente em maio. Além dos itens habituais, as próximas compras incluirão oito novos itens, entre os quais novos sabores de bebidas, biscoito wafer, seleta de legumes e carne de frango ao molho e em conserva.
Para garantir a merenda dos 50 primeiros dias letivos, a Fundepar já adquiriu 2,5 mil toneladas de gêneros alimentícios, que custaram R$ 3,5 milhões e atenderão cerca de 650 mil alunos.


