Hábito simples pode reduzir risco de infecção
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quarta-feira, 18 de outubro de 2000
Betânia Rodrigues De Londrina 
Lavar as mãos corretamente é um procedimento higiênico muito simples mas que diminuiria muito os índices de infecção hospitalar em qualquer parte do mundo, afirmam os médicos infectologistas Claudia Dantas Maio Carilho (foto) e Antonio Tadeu Fernandes. Ambos debateram o assunto ontem com os participantes do 42º Congresso Médico de Londrina, que está sendo realizado no Hotel Sumatra.
Segundo Claudia, o índice de infecção hospitalar na cidade está entre 3% e 3,5%. No Hospital Universitário, por ser também um estabelecimento de ensino, o grau de risco chega até 4,5%. Em comparação aos 5% preconizados pela Oraganização Mundial de Saúde (OMS) podemos dizer que vivemos uma situação tranquila, mas não podemos descuidar das bactérias resistentes, alertou a médica.
Apesar da lei federal nº 9.431, de janeiro de 97, obrigar os hospitais brasileiros a manterem uma Comissão de Controle da Infecção Hospitalar, apenas 40% deles respeitam a exigência, entre eles todos os hospitais de Londrina. Essa comissão deve avaliar a probabilidade de infecção dentro do estabelecimento, suas principais causas e planejar ações que diminuam o risco. São etapas de um programa de controle que está sujeito à fiscalização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Dentro dos hospitais, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é a mais perigosa porque atende pacientes mais debilitados. Numa pesquisa realizada ano passado na UTI do Hospital Universitário, Claudia verificou que 51% dos pacientes que adquiriram infecção morreram. No Brasil, ela está entre as 10 principais causas de mortalidade. Hoje, a maior preocupação da ciência é a velocidade com que as bactérias tornam-se resistentes aos antibióticos. Corremos o perigo de voltar a era pré-antibiótica, o que seria uma catástrofe para a saúde da população, disse o infectologista.
O uso abusivo de antibióticos, as bactérias do nosso corpo e a resistência que elas adquirem dentro dos hospitais são os maiores responsáveis pelas infecções. A auto-medicação e a invasão dos antibióticos na agropecuária vêm logo em seguida. Para combater esse inimigo, Fernandes sugere a medicina preventiva, a racionalização dos medicamentos e dos procedimentos invasivos (introdução de cânulos, cortes, etc). Infecção Hospitalar e suas Interfaces na área da Saúde é o título do livro escrito por Fernandes lançado ontem à tarde no Congresso.


