''Antigamente, quase todas as lojas por aqui fechavam'', relembra o empresário Pedro Stier, cujo armarinho fecha para o almoço há mais de 15 anos. Stier conta que, em seu estabelecimento, o movimento de clientes no horário de almoço era quase nulo. ''E quem vinha, geralmente era para pequenas compras de última hora, sem se programar. Fizemos um levantamento do quanto a gente faturava nesse horário e vimos que valia a pena fechar'', explica, acrescentando que a atitude gera ainda economia de energia elétrica e telefone. ''A mudança foi benéfica e os clientes já se habituaram. Não tivemos perdas e por isso mesmo não pretendo mudar essa rotina'', assegura.
Depois de mais de 40 anos respeitando o horário de almoço, Antônio Pereira da Cruz Junior, sócio-proprietário de uma loja de lustres, lâmpadas e outros artigos para casa, também não pensa em mudar seus horários para atender mais clientes. ''Não sou ganancioso. Aqui a gente faz tudo, menos ganhar dinheiro. E não adianta correr muito, porque quando a gente morre não leva nada, fica tudo aí'', justifica.
Para Cruz Junior, o certo seria todos fecharem. ''Sempre fechamos para dar tempo para os funcionários almoçarem com tranquilidade e também porque sou só eu aqui, e nesse período eu vou ao banco, faço compras e muitas outras coisas'', comenta.
O almoço do seo Antônio, porém, ficou mais triste, com o falecimento de sua esposa, depois de mais de 50 anos de casados. ''Durante todo esse tempo ela sempre fez almoço para mim. Agora vou ter que esquentar marmita. Mas a gente tem que se conformar, que a vida é essa'', resigna-se.(A.I.)

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