Habilidade com a terra gera renda
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
Cândida Maria Anselmo era empregada doméstica, em Cambé (Norte), mas acabou ficando sem renda quando teve de largar o emprego para cuidar da quinta filha, que nasceu com sequelas de toxoplasmose. Para melhorar a alimentação da família, ela passou a cultivar hortaliças em um canteiro da horta comunitária do Jardim Campos Verdes.
A habilidade com a terra transformou-se em geração de renda. Com apoio da Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Solidários da Universidade Estadual de Londrina (Intes/UEL), através do programa Universidade Sem Fronteiras, Cândida e mais cinco famílias passaram a integrar o grupo Mãos na Terra, que dedica-se ao cultivo de hortaliças, folhosas, frutas de época e tubérculos.
Graças à ajuda de estudantes universitários de várias áreas, a produção foi organizada, cresceu e passou a ser vendida semanalmente em uma feira realizada no Sebec, próximo à Biblioteca Central da UEL. O grupo também entrega em domicílio e vende os produtos para um comerciante de hortifruti.
Os fregueses também compram, no local, a produção do grupo Ervas de Salete. Baseadas no mesmo conceito de economia solidária divulgado pela incubadora da UEL, cinco moradoras de um assentamento rural de Alvorada do Sul (Norte) produzem e comercializam plantas medicinais, feijão, tomate e morangos sem agrotóxicos.
Os morangos comercializados por Márcia Aparecida Gimenez Menck, do Ervas de Salete, foram certificados com selo orgânico, o que garante o processo de produção livre do uso de agroquímicos. ''Tentei plantar soja e milho. Até hoje pago as dívidas dessa época'', disse ela, que mudou de vida após dedicar-se ao trabalho cooperativo no grupo. ''Tudo o que plantamos, conseguimos vender. Melhorou a renda e a qualidade de vida'', avaliou.
Cândida, de Cambé, transformou as vendas esporádicas em negócio sólido. ''Com as informações passadas pela incubadora, aprendemos a organizar, administrar e divulgar nossos produtos. Ganhamos mais e ainda respiramos ar puro nos canteiros. Trabalhar a terra é como se fosse uma terapia.''
Professor da UEL, Edson Archela é frequentador assíduo da feira. ''Sempre preferi produtos sem agrotóxicos. Sabendo que a produção é solidária, fico ainda mais contente.''
Serviço: Feira Agrícola da Intes - às sextas-feiras, das 9 às 12 horas, próximo à Biblioteca Central da UEL


