Há seis anos, uma lição de perseverança
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quinta-feira, 05 de março de 2009
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Eles perderam um membro mas não a esperança de ter uma vida normal. Todos os meses, entre 30 e 40 pessoas reúnem-se no Grupo de Apoio a Amputados para desabafar sobre seus problemas e conhecer histórias de sucesso. Com idades entre cinco e 80 anos, o encontro atrai gente de todo o Estado.
O grupo foi criado há seis anos na clínica Ortopédica Catarinense de Curitiba com o objetivo de promover a troca de experiências e desmistificar os processos pelos quais as pessoas amputadas passam. Coordenado pela psicóloga da clínica, Mariane Bonato, os participantes fazem dinâmicas, ouvem palestras e ainda conversam sobre assuntos diversos.
"Percebemos que muitos, quando chegam, estão naquela fase de negação, às vezes revoltados e se sentindo culpados. A maior parte dos frequentadores teve amputação de membro inferior, então eles sonham em voltar a andar. Mas, percebemos que, com as conversas, eles passam a se cuidar mais como um todo", explica Mariane.
Segundo a psicóloga, a aceitação da própria condição é fundamental para o início da reabilitação. "Alguns jovens têm aquele pensamento de que ainda não viveram nada, ainda não casaram e não têm filhos. Já os idosos, que muitas vezes já têm uma condição de depressão, se questionam do que poderão fazer no resto da vida. Mas, se eles não se aceitarem, mesmo com a prótese, sempre vão achar que há algo errado."
O eletricista morador de Paranaguá (Litoral) Carlos Renato do Rosário, 34 anos, frequenta os encontros há quatro anos, desde que sofreu um acidente que o fez perder parte da perna direita. Hoje, ele utiliza uma prótese e consegue andar normalmente, mas, assume, não é sem sacrifício. "Até para atravessar a rua implica um esforço muito maior. Mas, desde o começo eu sabia que ia voltar a andar e a trabalhar", conta.
Ele considera que recebeu muita ajuda e que agora está em condições de retribuir para pessoas novas que chegam ao grupo. "O melhor da troca de experiência é a gente saber o que esperar do que vem pela frente. Me ajudaram a controlar minha ansiedade antes de colocar a prótese", diz Rosário.
Há também pessoas novas no grupo, como o administrador Mario Storistuski, 35 anos. Vindo de São Mateus do Sul para sua primeira reunião, ele aguarda receber a prótese do braço direito. "O que eu gostei de ver aqui é que pessoas em condições mais delicadas do que a minha estão bem. Isso me ajuda a esquecer o meu próprio problema e me dá forças para continuar em frente", comenta.
As reuniões de Grupo de Apoio a Amputados acontecem sempre em uma quinta-feira, a partir das 14 horas. O encontro é aberto a todos, inclusive familiares e amigos de amputados.


