Londrina - Até mesmo em casos de cadáveres em estágio avançado de decomposição e sem impressões digitais, é possível identificar a vítima com a ajuda das técnicas de Entomologia forense. "Existe um exame no qual é colhido material genético armazenado dentro da larva", revela a perita criminal Janyra Oliveira Costa. Esse material, inclusive, pode identificar o autor de crime sexual. "Numa situação em que a vítima de violência sexual é morta, colhemos larvas de dentro da cavidade vaginal. Se o agressor ejaculou, conseguimos extrair o DNA pelo material genético do esperma dentro do inseto até oito dias após o crime, o que não acontece com o material exposto no corpo", revela.
No entanto, poucos peritos no País sabem fazer a coleta adequada dos insetos. Outro problema é que eles não têm o hábito de pedir exames desse tipo aos laboratórios. Por isso, segundo Janyra, é fundamental que os profissionais dos institutos de criminalísticas sejam, ao menos, capacitados para colher os insetos em cenas de crime. Pensando nisso, a professora e bióloga Lázara Caramori empenhou esforços para a abertura do curso de pós-graduação em Entomologia forense na cidade, o qual coordena. "Há muitos campos a serem explorados. A estimativa salarial inicial de um entomologista forense no Estado é de R$ 7 mil. Já em nível federal, o valor dobra", pontua.
A farmacêutica hospitalar Lilian Romero, de 35 anos, está finalizando o curso de pós-graduação e diz que pretende atuar na área, que considera promissora e com salário atrativo. "Já havia feito um curso mais curto na área em 2002. Assim como no passado, a aula de Entomologia forense foi uma das que mais me chamou atenção, pois existem várias aplicações do conhecimento para a produção de prova técnica ou pericial", diz ela, que deseja continuar trabalhando na área hospitalar e fazer um paralelo com a área forense, como free-lancer, elaborando pareceres e formulando e respondendo quesitos como assistente técnica quando designada por juiz. (M.T.)

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