O mercado de pré-escolas em Curitiba está saturado e as que existem são mais que suficientes para atender toda a população em idade pré-escolar. O problema é que só a minoria das crianças matriculadas recebe uma educação de qualidade. Para a maioria, a escola é apenas um lugar para ficar enquanto os pais trabalham.
O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Paraná (Sinep) tinha 398 pré-escolas cadastradas em Curitiba até o final do ano passado. Somando as que pediram autorização de funcionamento para este ano, mais as clandestinas, estima-se que existam na cidade pelo menos 600 pré-escolas. Curitiba tem 77.140 crianças de 4 a 6 anos. Como a universalização do ensino nessa faixa etária ainda está longe de acontecer, a conclusão é que há escolas demais, com qualidade de menos.
Os problemas começam pelos ambientes escolhidos para instalar pré-escolas. Muitas improvisam garagens como salas de aulas, amontoam crianças em espaços mínimos e sem ventilação e não oferecem segurança adequada.
Mais sério ainda é o problema da falta de qualificação profissional das pessoas contratadas para atender as crianças. Uma deliberação do Conselho Estadual de Educação determina que dois terços dos professores devem ter habilitação em pré-escolar, obtida com um curso posterior ao do Magistério.
Na prática, o que mais acontece é a contratação de estagiários que não concluíram o 2º grau. ‘‘A grande maioria das pequenas pré-escolas contrata meninas de 17 a 20 anos, sem qualquer formação, como auxiliares de classe, pagando um salário mínimo mensal, e acaba entregando turmas a essas pessoas’’, afirma Vilson Benedito, do Sinpropar.
‘‘O que existe de pré-escola trabalhando com pessoas não categorizadas é uma coisa impressionante’’, confirma Nordélia Gradowski, do Sinep. Segundo ela, o problema não atinge só as escolas clandestinas: também há muitas escolas autorizadas funcionando sem pessoal habilitado como exige a lei. (L.A.K.)

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